
Episódio
O ensaio do psicólogo Felipe Foresto examina a escalada do feminicídio no Brasil, conectando o aumento recorde de mortes a raízes históricas, psíquicas e culturais profundas. O autor utiliza a psicologia analítica e a sociologia para argumentar que a violência letal surge de uma masculinidade fragilizada que confunde afeto com controle e posse territorial sobre o corpo feminino. A análise destaca que a rigidez do sistema penal e o aumento de penas não bastam para conter o crime, pois as agressões ocorrem majoritariamente no momento da separação, quando o agressor não suporta a autonomia da mulher. O ensaio também enfatiza o racismo estrutural, demonstrando que mulheres negras são as principais vítimas desse sistema que funde patriarcalismo colonial e incapacidade emocional. Por fim, propõe-se uma reeducação afetiva do masculino e políticas públicas integradas que transcendam a simples punição para promover uma ética do encontro e do respeito à alteridade.