
Episódio
“O sujeito recebe sua mensagem do outro sob uma forma invertida”. O que o sujeito me diz está sempre numa relação fundamental a um fingimento possível, aonde ele me remete e onde eu recebo a mensagem sob uma forma invertida. A noção veio, desde algum tempo, para o primeiro plano das preocupações da ciência, do que seria uma mensagem. Para nós, a estrutura da fala, eu lhes disse a cada vez que tivemos aqui de empregar esse termo no seu sentido próprio, é que o sujeito recebe sua mensagem do outro sob uma forma invertida. A palavra plena, essencial, a fala empenhada, está fundada nessa estrutura. Temos duas formas exemplares delas. Nós nos limitaremos a constatar a alienação invertida Detenhamo-nos um instantinho nisto. - Ei-lo bem contente, vocês estão dizendo para si mesmos, é o que ele nos ensina - na fala, o sujeito recebe sua mensagem sob uma forma invertida. Não se iludam, não é bem isso. A mensagem de que se trata não é idêntica, bem longe disso, à fala, ao menos no sentido em que articulo para vocês esta forma de mediação em que o sujeito recebe sua mensagem do outro sob uma forma invertida. A INJÚRIA A injúria será o modo de defesa que volta de alguma forma por reflexão na relação delas, relação que só é compreensível a partir do momento em que ela está estabelecida, se estende a todas as outras enquanto tais, quaisquer que sejam? Isso é concebível, e já deixa entender que se trata realmente da própria mensagem do sujeito, e não da mensagem recebida na sua forma invertida. Em outros termos, quando um fantoche fala, não é ele que fala, é alguém que está atrás. A questão é saber qual é a função da personagem que se encontra nessa circunstância. O que podemos dizer é que, para o sujeito, é manifestamente alguma coisa de real que fala. Nossa paciente não diz que é um outro qualquer atrás dela que fala, •ela recebe dele sua própria fala, mas não invertida, sua própria fala está no outro que é ela mesma, o outro com minúscula, seu reflexo no seu espelho, seu semelhante. “Sua própria fala está no outro que é ela mesma” Narciso – o boneco do ventríloco. Fala em espelho – em O caminho da porta. “Peguei-lhe na proposta” Pegou a fala do outro para usar em seu benefício. O raciocínio dialético de Sócrates. Usar as falas do outro para questioná-lo. O método socrático. O seminário As Psicoses – e o surto psicótico.