
De 20 anos pra cá, pensar em gastronomia é pensar em elitização. Em listas de "melhores". Em documentários cinematográficos sobre chefs tatuados dissertando sobre sua trajetória tocante. É pensar em técnicas francesas, ingredientes italianos, vinhos espanhóis, tradição japonesa. É o raro, caro, o que quase ninguém pode ter. Com a proliferação dos reality shows culinários, a exaltação midiática aos chefs (em sua maioria, homens e brancos) e premiações de todos os tipos o tempo todo, a gastronomia tornou-se algo nocivamente desejável e imensamente distante, como se fazer e servir comida de qualidade estivesse diretamente associado a cozinhas com equipamentos de centenas de milhares de dólares, jantares de 12 etapas, filas de espera de meses e jornadas de trabalho insalubres. Mas gastronomia não é isso. Gastronomia é cultura. É o hoje, é a tradição. É conversa cotidiana com as raízes de um povo, é conexão com a sazonalidade, é solo, é clima. É gente. Para conversar sobre a gastronomia como ferramenta de conscientização socioambiental, nossa convidada é Adélia Rodrigues. Adélia é cofundadora e gestora da Gastronomia Periférica, negócio social que busca transformar a vida das pessoas das periferias por meio da gastronomia. Motivados por formar profissionais de cozinha aptos a realizar suas funções de acordo com as necessidades do mercado e no âmbito social, o curso da Gastronomia Periférica oferece alternativas de mudanças efetivas de suas realidades pessoais e coletivas, permitindo minimizar aspectos de violência, criminalidade e exclusão. A escola da Gastronomia Periférica profissionaliza moradores das periferias - em especial, as mulheres pretas-, é 100% gratuita e engloba auxílio-internet, ajuda de custo para compra de insumos e mentoria/tutoria durante todo o curso. Support the show