
Episódio
Arlindo Cruz inicia a carreira solo na década de 1990, com o lançamento do seu primeiro álbum denominado Arlindinho. Suas composições têm a negritude presente na tamboralidade do samba e uma percepção que o diálogo é a ponte para a união das pessoas. A genialidade do artista traz a percepção do samba como um território de paz considerando a corporeidade negra, onde a alma é como um tempo de conjugação multidimensional. Cruz traz uma crítica à falsa aparência para imposição do poder pequeno burguês, para seu canto a liberdade da revelação interior está na vida simples dos empobrecidos negros e não brancos. Com o sentimento, crítico e reflexivo, da irreverência do canto negro Leci Brandão chama atenção para engajamento nas lutas para superar os problemas, decorrentes das desigualdades que resultam nas injustiças sociais tratando-se de um posicionamento que tem sido, infelizmente, raro, diante do costume diatópico convencional, que é dado pela alienação de importantes escolas de samba.