
Algo aconteceu de repente, forte, um soco, bruscamente, a lucidez se fez urgente e eminente. Algo se rompeu incontinente, despedaçou o inconsistente, o mito, o deus da corrente, expulsando a obediência, acabando a inocência, sem peso na consciência. Como um sonho brutalmente interrompido. Como se o sagrado fosse falso e reprimido. Como um delírio coletivo esvaziado. Como se o divino fosse só pó — inventado. E se abriu confuso e frio um mundo sem pastor, fez do ser humano o próprio autor da sua dor. Sem saber pra onde ir, não há nenhum lugar seguro agora. A tumba se abriu — e não havia o cadáver do mentor. Algo enfureceu o universo, a fé perdeu o verso e se calaram profecias e escrituras. Um Deus se calou, e a humanidade se olhou. Algo perturbou o ambiente, rasgou o véu da mente e ninguém se reconhece mais. Silêncio do céu, e o homem se inaugurou. (Refrão – grito) Não há salvação! Não há perdão! Só a vida crua, sem redenção. Não há eternidade, nem divindade, só o peso e a fúria da nossa humanidade. Algo aconteceu de repente, forte, um soco, mas agora consciente: o mito caiu, o deus morreu, e a vida se fez presente. Ateísmo em forma de música. Álbum completo.