
A NHK, Nippon Hoso Kyokai, organização de serviço público do Japão é uma das mais tradicionais e bem financiadas instituições públicas de radiodifusão no mundo. A empresa pública opera três estações de rádio e cinco canais de televisão, três deles via satélite. Além disso, oferece diversos serviços digitais e transmissão de programas via streaming por meio de aplicativos próprios. A empresa mantém ainda o serviço internacional NHK World com notícias publicadas em 17 línguas, inclusive português. O entrevistado desta edição é o brasileiro Renato Brandão, que é professor universitário, apresentador, locutor, ator, tradutor e intérprete. Ele trabalha há 27 anos no Japão e tem experiência em diversos setores de mídia. Apresentou programas de televisão voltados à comunidade brasileira e atua como tradutor e locutor da NHK World. Brandão contou que o combate à desinformação é uma marca da organização pública japonesa desde a sua fundação. “O papel principal da NHK como emissora pública é informar sobre como lidar com a vida em um país que tem muitos desastres naturais, terremotos e tsunamis", contou. A NHK foi fundada em 1926 a partir da fusão de três estações de rádio das cidades de Tokyo, Osaka e Nagoya. Um terremoto de grandes proporções em 1923 motivou a criação de uma organização de radiodifusão no país. Diante da disseminação de rumores e desinformação, decidiu-se estabelecer a NHK para ser uma fonte de informação precisa e confiável. Durante a entrevista, Renato Brandão falou ainda sobre o trabalho como tradutor, a programação da emissora e o uso de alta tecnologia pela empresa. A lei japonesa impede a NHK de transmitir publicidade comercial. O financiamento da organização pública provém de uma taxa de recepção paga por cidadãos, empresas e também estrangeiros residentes no Japão. Atualmente a taxa é de mil e cem ienes mensais, aproximadamente 45 reais. O valor é mais caro para quem recebe a NHK via satélite.Nos últimos anos, houve redução do preço cobrado dos cidadãos e a empresa anunciou cortes de investimentos e de gastos. Uma emissora de rádio e um canal via satélite serão fechados até 2026. Para o ano fiscal de 2025, o total de receitas previstas pela NHK alcança 603 bilhões de ienes, o que corresponde a pouco mais de 23 bilhões de reais. A empresa prevê um déficit anual de 40 bilhões de ienes que serão compensados com um fundo de reserva. Na revisão do Plano Corporativo da NHK, publicada em janeiro de 2025, a empresa afirma que espera alcançar o equilíbrio orçamentário em 2027. A estrutura de governança da NHK é composta por um Colegiado de Governadores formado por 12 integrantes aprovados pelo parlamento japonês e nomeados pelo primeiro-ministro. O colegiado elege o presidente da organização, que lidera o Conselho Executivo. Existe ainda um comitê de auditoria independente. O atual presidente da NHK Inaba Nobuo afirmou em uma publicação recente que o interesse do público pela verdade se intensificou nos últimos anos e é ainda mais forte agora do que era um século atrás. Ele acredita que cresceu a busca por informação confiável em função do grande volume de postagens que circula nas mídias sociais e em plataformas digitais, cuja precisão é incerta. Inaba afirmou também que aumentou a importância de instituições jornalísticas como a NHK. Disse ainda que a organização pública pretende seguir como referência de informação e contribuir - mais do que nunca - para a saúde da democracia. Sugestão de leitura sobre o tema: NHK World-Japan Português Serviço Internacional da NHK em língua portuguesa Basic Facts About NHK Informações sobre a NHK: quem somos About NHK: Receiving Fee Informações sobre a NHK e a taxa de recepção que financia o serviço público NHK Corporate Profile 2024-2025 Relatório Corporativo NHK 2024-2025, documento em inglês. NHK Corporate Plan FY2024-2026 January 2025 Revision Revisão do Plano Corporativo 2024-2026, documento em inglês Summary of Press Conference (March, 2025) Resumo de coletiva de imprensa concedida pelo presidente da NHK Inaba Nobuo Serviço Público de Radiodifusão: um estudo de direito comparado Toby Mendel, Unesco, 2011