Neste oitavo episódio continuamos com a série “Escutar a Juventude Rural” que dá voz a crianças e jovens atuais que vivem em zonas rurais de vários concelhos do distrito de Viseu. A Binaural Nodar celebrou o Dia Mundial da Criança de 2019 com uma edição do ateliê "Ouço, Lembro, Sinto" desenvolvido no Museu do Linho de Várzea de Calde com a participação das crianças do Jardim de Infância de Várzea de Calde e da Escola Básica de Calde (na Freguesia de Calde) e integrado no Programa Viseu Cultura do Município de Viseu. O ateliê usou a metodologia "Todos somos memória" desenvolvida pela Binaural Nodar e que estimula a consciência de que a memória não é necessariamente algo externo a que se acede, mas sim parte do lastro individual e coletivo de cada ser humano, tenha a idade, condição social e origem geográfica que tiver. Assim, as crianças buscaram no seu próprio baú mental relatos do seu (breve) passado e da memória infantil transmitida pelos seus familiares (pais, tios, avós, etc.), gravaram as respectivas vozes e leram excertos de literatura regional de Várzea de Calde, também esta memória, com a (subtil) diferença de ter sido marcada a tinta em papel por gente mais velha. Foi curioso notar como as crianças, sendo livres de desfiar o seu novelo de memórias, acabam por abordar temáticas consideradas difíceis como a morte (de animais, de pessoas de família) ou acidentes mais ou menos caricatos e mais ou menos graves. Por outro lado, é impressionante notar como crianças de entre 7 e 10 ou 11 anos têm ainda memória de situações que ocorreram quando tinham apenas dois anos de idade. E por último, em aldeias rurais como as da freguesia de Calde, torna-se claríssimo que a memória ainda é partilhada entre gerações. Várias crianças falaram de histórias de infância dos seus pais ou dos seus avós, assim como da convivência que têm atualmente com os avós, já que vivem a mesma localidade, o que nem sempre acontece, por exemplo nas grandes cidades. Dinamização do ateliê, registo e edição sonora e composição musical de Luís Costa Um agradecimento ao ótimo acolhimento da equipa do Museu do Linho de Várzea de Calde, às educadoras, professores e auxiliares dos dois estabelecimentos de ensino e, principalmente, às crianças que participaram no ateliê, mostrando como a cosmovisão infantil pode ser tão criativa, livre e improvável.