Foram tantas pessoas que partiram nos últimos meses, tantas cadeiras vazias, tantas camas ocupadas pela metade, tantos abraços no ar. A morte, ultimamente, tem soado como desaparecimento. Os rituais e o ritmo mais lento de perdas nos permitiam processar melhor o que é tão difícil de entender. A cena do abraço no vento também me fez olhar de forma metafórica para minha vida. Pessoas, amores, sonhos, ideias, foram tantas as coisas que não vivia sem que passei a viver sem. Sabemos que nada é para sempre, mas é sempre duro quando deixa de ser. O pensamento sobre a impermanência das coisas, inevitavelmente, me faz pensar em um clichê: o valor de cada momento, Carpe Diem. Ao longo da vida, abraçaremos muito o vento até nos tornamos vento. Que ainda mais forte seja nosso abraço no momento.