Quando Alexandre o Grande morreu em 323 a.C., ele deixou para trás um império vasto demais para qualquer herdeiro único. Seus generais — os chamados diádocos — dividiram o mundo entre si como cartas num baralho. O Egito ficou com Ptolomeu I Sóter. Um macedônio. Um grego. Um estraneiro governando uma civilização que tinha cinco mil anos de história. O problema era óbvio: como legitimar o poder de um faraó que não era egípcio perante dois povos completamente diferentes — os gregos recém-chegados e os egípcios nativos? A resposta de Ptolomeu foi genial na sua audácia: criar uma divindade que pertencesse aos dois mundos ao mesmo tempo.