Enquanto concluo meu doutorado em Literatura Clássica Chinesa na Universidade de Wuhan, recebo um parecer crítico sobre minha dissertação que me leva a uma reflexão inesperada sobre histórias, avaliações e o poder que outras pessoas têm de narrar quem somos. Partindo de uma crítica acadêmica real, o episódio atravessa as ideias de Chimamanda Ngozi Adichie sobre “o perigo de uma só história”, passa pelas reflexões historiográficas de Benedetto Croce e retorna ao mito chinês de Pangu 盘古, o gigante primordial cujo corpo se transforma no próprio mundo. Entre pareceristas, memória, narrativa e identidade, o episódio pensa sobre a violência e o fascínio das histórias que contam sobre nós, e sobre a necessidade de continuar vivendo novas histórias para não sermos aprisionados por uma só.