
A recente instabilidade no preço da carne bovina no Brasil, impulsionada por recordes de exportação e fatores climáticos, tem alterado os hábitos de consumo e intensificado o debate sobre renda, segurança alimentar e o futuro do campo. Diante desse cenário, a ProVeg Brasil, em parceria com a OCA (Organização Cooperativa de Trabalho, Serviços, Projetos e Consultorias em Agroecologia), apresenta o relatório "Aumentando Renda, Respeitando o Planeta, Nutrindo Pessoas". O estudo analisa a transição da pecuária para Sistemas Agroflorestais (SAFs) 100% vegetais como uma resposta estrutural à crise climática, à vulnerabilidade econômica de pequenos produtores e aos desafios da fome. O Cenário Atual vs. O Potencial dos SAFs A pecuária ocupa cerca de 20% do território nacional, e entre 45% e 55% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação. Além disso, a atividade extensiva responde por aproximadamente 60% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Em contrapartida, os alimentos vegetais já representam 63% das calorias consumidas pelos brasileiros em produtos in natura ou minimamente processados. A transmissão ao vivo abordará como os SAFs transformam esse panorama ao integrar árvores, frutas, hortaliças e leguminosas. Esses sistemas biodiversos são capazes de: Regenerar o solo e ampliar a retenção de água; Recuperar áreas degradadas e funcionar como sumidouros de carbono; Diversificar a produção agrícola e reduzir riscos climáticos. Amazônia: SAFs com açaí, cacau e banana geram rentabilidade líquida entre R$ 18 mil e R$ 35 mil por hectare/ano. Caatinga: Arranjos com mandioca, caju e umbu mostram alta adaptação climática e renda com baixa dependência de irrigação. Debatedoras: * Aline Baroni | Diretora Executiva da ProVeg Brasil •Gisiliana Barbosa | Agroecóloga (OCA) Moderação: * Semíramis Domene | Professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva (Unifesp)Viabilidade Econômica e Impacto Social Os dados do relatório indicam que a transição pode mais que dobrar a renda líquida por hectare, com um aumento mediano de 110% a partir do quinto ano. Em áreas degradadas articuladas a mercados especiais, cooperativas e Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), o crescimento da renda anual por hectare pode atingir expressivos 1.525%. O impacto social também é profundo: para cada R$ 1 milhão em produção anual, os SAFs geram cerca de 30 empregos em tempo integral, contra apenas 7 gerados pela pecuária. Análise por Biomas e Políticas Públicas O encontro destacará experiências práticas em diferentes regiões: O debate também proporá caminhos institucionais para viabilizar essa transição, como linhas de crédito específicas, assistência técnica qualificada, incentivos fiscais e a expansão de compras públicas via PNAE e PAA. Debatedoras: Aline Baroni | Diretora Executiva da ProVeg Brasil Gisiliana Barbosa | Agroecóloga (OCA) Moderação: Semíramis Domene | Professora do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva (Unifesp)