
Episódio
O mercado global de trigo enfrenta um cenário de forte volatilidade e apreensão, com as cotações disparando nas bolsas internacionais diante da ameaça de escassez global. A intensificação dos conflitos entre Rússia e Ucrânia atinge diretamente as rotas de exportação, impulsionando os preços e acendendo o alerta para o custo de importação no Brasil. Com uma redução estimada de 20% na área plantada nacional e uma safra menor projetada para este ano, o país deve aumentar sua dependência do trigo estrangeiro em um momento de preços elevados. Vlamir Brandalizze ressalta que, para o produtor brasileiro, esse quadro de escassez mundial e valorização do grão pode ser o estímulo necessário para o investimento em qualidade, enquanto o mercado interno começa a ensaiar as primeiras reações de alta.O mercado do arroz começa a esboçar uma reação positiva, com as indústrias retomando as compras e pressionando as cotações para cima. No Rio Grande do Sul, o grão nobre já ultrapassa a marca dos 65 reais, refletindo não apenas a movimentação das beneficiadoras, mas também uma preocupação crescente com a oferta global. Com projeções de safras menores nos Estados Unidos e em todo o Mercosul para os próximos ciclos, o setor arrozeiro entra em um período de ajustes estratégicos. Enquanto o varejo tenta repassar as correções para as gôndolas, Vlamir Brandalizze destaca que o produtor monitora de perto esse cenário de escassez que promete manter os preços em patamares elevados e desafiadores até 2027.O mercado do feijão caminha para a reta final da colheita da segunda safra, com o produtor aproveitando a oferta de grãos nobres e irrigados para fazer caixa e movimentar o setor das empacotadoras. Embora o mês de julho apresente cotações mais acomodadas, tanto para o carioca quanto para o feijão preto, o cenário deve mudar em breve. Com a proximidade de agosto, o setor se prepara para um 'vazio de oferta' no campo, que coincidirá com a volta às aulas e o aumento da demanda no varejo. Vlamir Brandalizze comenta que esse equilíbrio entre a colheita que termina e o consumo que acelera coloca o produtor e o consumidor em alerta para as possíveis variações de preços nas próximas semanas.