
Episódio
O mercado global de trigo atravessa um período de forte turbulência, impulsionado pela combinação explosiva entre o agravamento do conflito no Mar Negro e a pior safra norte-americana das últimas duas décadas. Enquanto as cotações em Chicago batem recordes para as posições de 2026 e 2027, o cenário no Brasil apresenta uma calmaria atípica e preocupante para a indústria. Com moinhos relatando vendas acomodadas, o mercado interno segue estável, mas sob a ameaça de importações significativamente mais caras. Vlamir Brandalizze chama a atenção para o custo de importação que pode saltar para a faixa de 1.800 reais a tonelada em breve.Após um período de preços estagnados e margens apertadas, o mercado do arroz no Brasil começa a dar sinais consistentes de recuperação, buscando sair do chamado 'fundo do poço'. Com as cotações na fronteira oeste gaúcha e no litoral catarinense apresentando reações importantes, o setor agora tenta equilibrar o valor da saca com os altos custos de produção que ainda desafiam a viabilidade do produtor. O grande motor dessa reação é o desempenho histórico das exportações, que já superam 1,2 milhão de toneladas no acumulado do ano. Vlamir Brandalizze projeta que o fluxo de embarques continue aquecido, oferecendo o fôlego necessário para que o arroz brasileiro mantenha sua trajetória de valorização nos próximos meses.O mercado nacional de feijão entra em uma fase de ajustes importantes com o avanço da colheita da terceira safra, especialmente dos feijões irrigados plantados em maio. A entrada desse produto de excelência tem exercido uma pressão descendente nos preços do tipo Carioca, que viu as cotações recuarem dos patamares de 500 reais para a casa dos 300 reais a saca. O cenário para o feijão preto é distinto. Com a colheita praticamente encerrada e um vazio de oferta previsto para agosto, Vlamir Brandalizze comenta que o grão mantém maior estabilidade, sinalizando uma possível janela de valorização pela escassez de produtos no curto prazo.