
CONVIDO VOCÊ HOJE PARA REFLETIR CONOSCO SOBRE O QUARTO TÓPICO DA TERCEIRA BEM-AVENTURANÇA: - “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. FALAREMOS HOJE SOBRE O NOSSO DEUS DE TODA A CONSOLAÇÃO. 4º Tópico a ser considerado nessa bem-aventurança: O DEUS DE TODA A CONSOLAÇÃO. Você já parou para pensar que há algo sagrado na linguagem das lágrimas? Substitui a impotência da palavra para expressar o quanto de indefinível e de inconsolável está contido na dor. Detém todo o diálogo; diante das lágrimas nada mais há a fazer senão calar-se. Voltemos o nosso olhar para os que choram, para os aflitos encerrados na sua dor. “Vós que chorais, vinde a este Deus, pois Ele chora”. Esta frase que Victor Hugo escreveu junto ao crucifixo é a afirmação desconcertante do prodígio da Encarnação do Filho de Deus. Este Deus Que chora é um Deus perdido em alturas inacessíveis, Que não se comoveu com os suspiros dos homens. Este Deus é o mesmo que Jesus nos descreveu com a fisionomia de um Pai compassivo não apenas com a angústia, mas também com a rebeldia dos Seus filhos. Não obstante, como sair do obscuro labirinto onde se cruzam e embaralham a bondade de Deus e aparentemente a Sua impassibilidade? O Deus que quer secar as nossas lágrimas não é suficientemente poderoso para afastar os males que nos fazem chorar? Jesus, cujo poder é manifestamente sobre-humano, devolve aos paralíticos o uso dos seus membros, aos mudos o da palavra, o ouvido aos surdos, a vista aos cegos, a vida aos mortos. Por onde quer que passe “cura todas as enfermidades e moléstias” (Mt 9,35), escrevem os evangelistas. Uma vez que pode, porque não o faz para que desapareça o sofrimento do nosso pobre mundo? Aí está o grande mistério. Jesus tira o pecado do mundo, mas deixa nele o sofrimento. [...] O Salvador ressuscitado vai repetir às testemunhas da Sua nova vida, dizendo: “Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na Sua glória?” (Lc 24,26). Era preciso! E porquê? O mistério da dor continua a ser indecifrável para nós. Emanuel – Deus entre nós – não nos explicou os enigmas do universo. Veio para ensinar-nos a viver e a triunfar do mal. É este o consolo anunciado na Bem-aventurança de que nos ocupamos e que não é a promessa de uma anestesia impossível. [...] Jesus, o vencedor da morte, não só chorou como nós mas também, quando chega a hora de Ele próprio “enxugar as lágrimas de todos” (Is. 26,8; Ap 21,4), une as nossas dores às Suas com vista a ajudar a todos a sofrer, para que as nossas lágrimas, como as Suas, tenham um valor redentor. Que importa que não possamos sofrer o que muitos intitulam de “problema do mal” e que, na verdade, é um mistério impenetrável, uma vez que, de qualquer maneira, havemos de sofrer? Coisa estranha: mal a ciência encontra a cura de uma doença, logo lhe aparece outra desconhecida; contudo, os usos da maioria das descobertas cientificas para a humanidade têm a finalidade, normalmente, para fins mortíferos. É como se uma porção constante de dor tivesse de afligir sempre a terra! Mas Jesus preferiu voltar os nossos olhos para o futuro e assegurar-nos de que a nossa dor não é inútil. Os cristãos ficarão consolados se aceitarem os sofrimentos inevitáveis, dos quais nenhum homem e nenhuma mulher está isento, como um sacramento que os une a Cristo para a realização da Sua obra redentora. Bem-aventurados os cristãos que, quando choram, dizem com Jesus: “Pai, faça-se a Tua vontade. Pai, perdoa os que me fazem sofrer! Pai, em Tuas mãos entrego a minha vida!”. Eles já não estão sós. Estão consolados. CRÉDITOS Texto: https://ens.pt/protected/wp-content/uploads/2018/05/tema-de-estudo-2004-as-bem-aventurancas.pdf Imagem: https://br.pinterest.com/pin/418553359136112976/visual-search/?x=16&y=16&w=414&h=447.2127659574468&cropSource=6&surfaceType=flashlight Trilha sonora: acervo pessoal.