
Na manhã de 26 de novembro de 1967, há exatamente 54 anos, a zona da Grande Lisboa acordava com um rasto de lama e destruição, depois de intensas horas de chuva. As Cheias de 1967 perfilavam-se como um dos maiores desastres em Portugal e punham a nu muitas das fragilidades do país. 462 mortos na contagem oficial do regime, que cedo suspendeu a contagem, e pelo menos 700 de acordo com a contabilidade dos historiadores. Como reação à tragédia, os estudantes do Técnico lançaram-se numa memorável campanha de solidariedade e apoio à população da Vala do Carregado. A força estudantil, traduzida num apoio a tarefas como limpeza de casa, distribuição de alimentação, transporte de pessoas que precisavam de assistência médica e até de vacinação, ganhou também expressão na frente da informação. Perante um cenário de grande controlo do regime, o boletim Solidariedade Estudantil, distribuído no Técnico com uma tiragem que atingia os 10000 exemplares e escrito por estudantes que participavam no processo de voluntariado, era dos poucos que escapava à censura do Estado Novo. Esta é a conversa com Luísa Tiago de Oliveira, investigadora e professora de História Oral no departamento de História do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa) acerca das Cheias de 1967 e do Solidariedade Estudantil Reportagem: Marco António (366 Ideias) Pré-produção: Joana Lobo Antunes, Pedro Garvão Pereira, Sílvio Mendes e Filipa Soares (Área de Comunicação Imagem e Marketing do Técnico) Saiba mais em 110.tecnico.ulisboa.pt