
Ricardo Salles pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente na semana passada, após dois anos e meio à frente da pasta, em uma gestão criticada por importantes entidades e lideranças ambientais. O agora ex-ministro deixa o governo investigado pela Polícia Federal, em um inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que apura a venda de madeira ilegal brasileira a países estrangeiras. A gestão de Ricardo Salles no ministério foi marcada por episódios lamentáveis para o Meio Ambiente, como o avanço do desmatamento, o derramamento de óleo no litoral brasileiro e as queimadas na Amazônia e no Pantanal. Para falar sobre esse triste legado e sobre os caminhos para a flora e a fauna brasileiras, o 'Oito em Ponto' entrevistou a doutora Maria Tereza Jorge Pádua, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, da Comissão Mundial de Áreas Protegidas, do Conselho da Associação O Eco, e ex-presidente do Ibama. "É um legado muito triste. Esse homem nunca poderia ter sido ministro. É o anti-ministro", disse Pádua. A ex-presidente do Ibama avalia que o Brasil possui uma legislação ambiental muito boa, mas diz que ela precisa ser respeitada e cumprida. "Ele [Ricardo Salles] fez de tudo para acabar com essa legislação, incentivando a destruição da natureza". Maria Tereza Jorge Pádua também avaliou a perspectiva do Ministério do Meio Ambiente, agora sob o comando de Joaquim Álvaro Pereira Leite. "Ele é um preposto do Salles, não é da área ambiental. Esse senhor não tem nenhum conhecimento. Nós precisamos de cientistas, especialistas no assunto", comentou a doutora. Confira a entrevista completa. O programa "Oito em Ponto", com apresentação de Sergei Cobra, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 FM, de segunda à sexta-feira, às 8h da manhã, na Cultura FM, Cultura Brasil e no aplicativo Cultura Digital.