
Uma criança do sexo masculino, melanodérmica, de 7 anos de idade é trazida ao Serviço de Urgência acompanhada pela mãe por quadro de febre, cefaleia e fotofobia com 3 dias de evolução. A criança é natural de Moçambique e reside em Portugal, com os seus pais, há cerca de 2 anos. Não tem doenças conhecidas, mas a mãe relata episódios prévios recorrentes de dor e tumefação dos dedos das mãos e pés, que cediam a terapêutica analgésica. O estado vacinal da criança é desconhecido. De antecedentes familiares, destaca-se infeção HIV materna, controlada com terapêutica antirretroviral há 10 anos. Ao exame objetivo, a criança tem um ar tóxico. A temperatura corporal é de 40.3ºC. A pressão arterial é de 97/62 mmHg e a frequência cardíaca é de 135/min. Ao exame neurológico objetiva-se resistência à flexão passiva do pescoço e incapacidade de extensão total da perna com a anca colocada a 90º. A auscultação cardiopulmonar e o exame abdominal são normais. É realizada avaliação analítica, que revela: Hemoglobina 8.3 g/dL Volume Globular Médio 90 fL Hemoglobina Corpuscular Média 30 pg RDW 17% [Normal 11-15%] Reticulócitos 5% Leucócitos 19300/mm^3 (Neutrófilos 89%) Plaquetas 230000/mm^3 Bilirrubina total 2.1 mg/dL Bilirrubina direta 0.4 mg/dL Azoto ureico 17 mg/dL Creatinina 0.8 mg/dL Haptoglobina 12 [Normal 50-220 mg/dL] LDH 453 U/L PCR 15 mg/dL O esfregaço de sangue periférico evidencia alguns eritrócitos falciformes e eritrócitos normais com inclusões redondas basofílicas. A punção lombar demonstra um líquido cefalo-raquidiano turvo, com pleocitose polimorfonuclear, hipoglicorráquia e hiperproteinorráquia. O exame direto revela diplococos Gram positivos. Qual o mecanismo que predispõe, com maior probabilidade, ao quadro clínico desta criança? Não fiques só a ouvir. Resolve os casos por ti. Responde e vê as respostas dos teus colegas aqui: https://pna.medapprentice.com/courses/caso-clinico-0029/ Créditos: André Pita e Daniel Cazeiro (origem da pergunta e explicação) António Silva (responde) Francisco Pinheiro (edição de som)