
Amanhã quando a lâmpada da vida Na minha fronte se apagar, tremendo, Ao sopro do tufão, Oh! derrama uma lágrima sincera Sobre o meu peito macilento e triste, E reza uma oração! Será uma saudade verdadeira, Uma flor que me arome a sepultura, Um raio sobre o gelo... Ouvirei a canção das tuas dores, E levarei saudades bem sombrias Deste meu pesadelo. Lembrarei além-túmulo essas noites Misteriosas festivais e belas Da estação dos amores! Noites formosas, para amor criadas; Que coroavam nosso amor tão puro De ventura e de flores! (...) Lembrarei nosso amor... E o teu pranto Ardente como a luz de um sol do estio Irá banhar-me a campa E as lágrimas leais que derramares, O astro beijará — que pelas noites No oceano se estampa! Um olhar, um olhar desses teus olhos! Eu o peço, mulher! sobre o meu túmulo Um olhar de afeição! Assim o sol — o ardente rei do espaço Deixa um raio cair nas folhas secas Que matizam o chão! Um olhar, uma lágrima, uma prece, É quanto basta em única lembrança. Teresa, ao teu cantor. Chora, reza, e contempla-me o sepulcro E na outra vida de um viver mais puro Terás o mesmo amor.