
Às vezes, soltar não é necessariamente um sacrifício nem um adeus, mas sim um “obrigado” por tudo que aprendemos. É deixar partir o que já não se sustenta em si mesmo para nos permitirmos ser mais livres e autênticos, e então receber o que tiver que chegar. Se pensarmos nisso por um instante, veremos que as melhores decisões, essas seguidas de um estado de grata felicidade, justamente implicam ter que soltar alguma coisa. Pode ser um medo, uma angústia, traçar certa distância de um lugar ou mesmo de uma certa pessoa. A renúncia é parte do processo da vida. É uma coisa natural, porque todos somos obrigados a escolher no que e em quem investir nossos tempos e nossos esforços. Solto, entrego, confio e agradeço, porque é preciso deixar partir o que já não quer ficar, o que pesa, o que já é falso… Para permitir então que o nosso próprio coração fique apenas com o que é autêntico. Um fato a considerar é que o ato de soltar, por si só, não implica apenas cortar esses laços que colocam limites ao crescimento pessoal e a felicidade. Soltar significa em certos casos ter que se desprender e repensar muitos dos próprios conceitos psicológicos, tais como o ego, o rancor, ou mesmo o próprio medo da solidão. Porque aquele que quiser receber precisa ter o coração preparado para receber essa nobreza que não entende de egoísmo, nem de tempestades interiores.