
Se você quer melhorar sua performance no trabalho, nos estudos, ou mesmo aumentar a qualidade de seus relacionamentos, use o poder da mentalização. Parece papo de autoajuda, e é. Mas a experiência de psicólogos e uma porção de estudos na área de neurociência têm mostrado que algumas práticas de visualização podem, mesmo, servir como treino mental e ajudar as pessoas a atingir os mais variados objetivos, como fazer uma apresentação memorável, emagrecer ou vencer a ansiedade. Tudo começou no esporte. Quem acompanha o tema já deve ter lido algum atleta famoso contar que sempre roda um filme imaginário antes de executar um movimento ou tacada importante. Experimentos com escaneamento cerebral têm mostrado que, ao imaginar um movimento, ativamos certas redes de neurônios que também são requisitadas em situações reais. As chamadas "práticas de compaixão" são outro exemplo de uso da visualização que virou alvo de estudos de neuroimagem. Adaptadas do budismo ou do hinduísmo, assim como a meditação, as técnicas podem ser usadas em diferentes contextos: "Posso ter visualizações que geram afeto positivo, como me imaginar em um lugar seguro, ou as chamadas 'práticas desconstrutivas', que têm o objetivo de gerar reflexão", resume Marcelo Demarzo, médico especialista em mindfulness e blogueiro do UOL VivaBem. Ele lembra que sentir compaixão não é ter pena, e sim reconhecer o sofrimento no outro, ter empatia e querer ajudar. A psicóloga Kelly McGonigal, da Universidade de Stanford, nos EUA, conta que despertar a compaixão por meio de visualizações gera emoções positivas. Por isso, as técnicas têm sido aplicadas em programas de redução do estresse em hospitais, por exemplo, com reflexo positivo na relação entre os profissionais e os pacientes. Cada profissional irá adaptar os exercícios de acordo com o contexto e necessidades do paciente ou do grupo. Mas, de modo geral, as técnicas de visualização envolvem algumas características, como você vê a seguir. Antes de tudo, defina o objetivo A psicóloga do esporte Suzy Fleury, que trabalhou com a Seleção Brasileira de Futebol até o ano 2000, conta que utiliza técnicas de visualização não apenas para melhorar a performance em eventos futuros, como também para "corrigir" mentalmente erros passados que podem se repetir como padrões. Isso pode envolver um tipo de jogada em campo que não tem funcionado, mas também crenças que são construídas desde a infância e que atrapalham o dia a dia. Assim, o exercício de visualização precisa ter uma sinopse antes que você inicie a prática, e isso depende do objetivo que você pretende alcançar. Pode ser um gol, uma negociação com o cliente ou com o chefe, ou até mesmo uma conversa difícil que é preciso ter com um familiar. Papel e caneta podem ajudar a desenhar ou descrever esse "script".