
🌾 A SEMENTE 484 Quinta-feira, 29/04/2021)Meditações no Evangelho de João (99): Jesus, Nosso Verdadeiro IntercessorLeitura Bíblica: João 19:25-27Jenuan S. Lira O significado exato do relacionamento entre Jesus e Maria, Sua mãe, tem sido alvo de muito debate, imaginação e contradição. Querendo extrair do texto bíblico mais do que nos foi revelado, alguns teólogos lançam mão da interpretação alegórica e constroem doutrinas que se sustentam muito mais pela força da tradição do que pela fiel interpretação das Escrituras. As últimas palavras que Jesus dirigiu a Sua mãe no momento da crucificação estão registradas em João 19:25-27. Esse texto, como as demais Escrituras, deve ser interpretado no seu sentido literal, respeitando-se tanto seu contexto gramatical quanto histórico. Conforme lemos no quarto Evangelho, havia, junto à cruz, um grupo de mulheres que testemunhava o sofrimento do SENHOR. Vendo que Sua mãe estava entre elas e que, ao seu lado, estava João, o discípulo amado, Jesus disse: “Mulher, eis aí teu filho” (João 19:26). Em seguida, virou-se para João e disse: “Eis aí tua mãe” (João 19:27). Então, “dessa hora em diante”, diz o texto, “o discípulo a tomou para casa.” De acordo com a tradicional interpretação alegórica, naquele momento, Jesus estava consumando Sua maior obra, isto é, entregando Seus discípulos aos cuidados de Maria que, em virtude disso, deveria ser vista como a mãe da igreja de Cristo. Como já mencionamos, tal perspectiva sustenta-se apenas pela força da tradição, pois nada há no próprio texto que nos permita chegar a tais inferências. Não é necessário grande esforço para entender que Jesus não estava falando com João como um representante da Sua igreja, que, aliás, ainda não existia naquele momento. Além disso, Maria é que deveria ser protegida, e não providenciar proteção para João ou para a igreja. Assim, ainda que João representasse a igreja, o que não é o caso, a conclusão baseada na alegorização do texto não combinaria com a posição adotada a partir dos dogmas eclesiásticos. Então, se a interpretação segundo a tradição não faz justiça às palavras do SENHOR, o que, afinal, Jesus estava querendo dizer? De acordo com o costume da época, quando uma mulher ficava viúva, era responsabilidade do filho mais velho cuidar dela. A consistente ausência de José no relato do ministério de Jesus nos dá condições de concluir que, quando Jesus morreu, José já tinha morrido. Portanto, sendo viúva naquele momento, Maria era uma mulher sozinha, pois, como lemos em João 7:5, nem mesmo os irmãos de Jesus criam n’Ele, deixando-a, de certo modo, isolada do restante da família. Estando a par da situação de desamparo a que estaria sujeita Sua mãe, Jesus, mesmo em meio a dores excruciantes no corpo e na alma, preocupou-se com ela e pediu que João a protegesse. Realmente, como o próprio João escreveu, “…_ sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim_” (João 13:7). Foi assim com os discípulos, foi assim com Maria, é assim conosco. Esse episódio nos lembra de uma oração feita com frequência por muitos, na qual as pessoas pedem que Maria rogue “por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”. No entanto, não é isso que vemos no momento da crucificação de Cristo. Ao contrário, na hora da sua morte, Jesus estava intercedendo por sua mãe, e não sendo alvo da intercessão dela. Essa é a verdade também declarada em 2Timóteo 2:5, onde lemos: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” Jesus Cristo, em virtude da Sua divindade, justiça e morte sacrificial, é o Único que pode, de fato, interceder por nós “agora e na hora da nossa morte”. Crendo somente n’Ele como SENHOR, Salvador e Mediador, assim como creu também Maria, seremos alvo da intercessão eficaz, amorosa, justa e eterna do nosso SENHOR Jesus Cristo.