
Edição extra (4) - O coronavírus e o desespero de uma potência mundial Enquanto a invasão do coronavírus cruza as fronteiras internacionais, ficamos todos assustados não apenas com os efeitos letais do vírus, mas também com a fragilidade humana em detê-lo mesmo em países onde as proezas da inteligência humana ultrapassam tudo que já foi feito na história passada. Quem já teve a oportunidade de cruzar as fronteiras migratórias dos Estados Unidos sabe que as medidas de segurança são tantas que deixam o visitante inseguro. Diante das inúmeras câmeras e dos olhos desconfiados da polícia de fronteira, você nunca sabe o que pode acontecer. A esperança é receber o carimbo no passaporte e seguir aliviado para pegar as malas. Entretanto, é possível que, sem razão aparente, ou até por engano do policial, você seja conduzido a uma sala de inspeção especial. Já estive nessas salas mais de uma vez e posso assegurar que não é uma boa experiência. Diante do arsenal de segurança, o viajante descobre cedo que parte do sonho americano pode, facilmente, significar o maior dos pesadelos para os visitantes da América. Podemos entender a quase obsessão dos Estados Unidos por segurança. Eles precisam disso. Não há, na história humana, nenhuma sociedade que tenha alcançado um nível de poder e de riqueza que se compare ao dos Estados Unidos. Porém, o grande desafio de quem tem riqueza é a preocupação para não perdê-la. Salomão, o rico rei de Israel, disse com certa ironia: “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir” (Eclesiastes 5.12). Sendo a nação mais rica do mundo, os Estados Unidos não podem dormir. Precisam estar sempre de olhos bem abertos, pois há sempre inimigos à espreita. Semana passada, ao ver o presidente Donald Trump alarmado em cadeia internacional, compartilhando as medidas preventivas para deter o coronavírus, veio à minha lembrança o Salmo 60:11, em que Davi, dirigindo uma oração ao SENHOR, implora: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem” (Salmo 60.11). Se, por acaso, alguém duvida da veracidade dessa oração, veja o que esse vírus está fazendo com a única nação que pode, atualmente, ser considerada uma superpotência. O programa de segurança de fronteira com o seu detalhado escrutínio de bagagens continua o mesmo. Policiais de fronteira que não foram atingidos pelo vírus e as guarnições especiais de plantão continuam lá. Apesar disso, o país está em pânico, pois está sendo atacado por um inimigo que não pode ser detectado pelos radares nem pelas máquinas de raios X. É uma situação crítica, porque todo o arsenal de segurança e os radares poderosos pouco importam se os operadores estiverem acamados. E, pelo visto, é isto que está para acontecer. Desde o final da Segunda Guerra até anos recentes, o grande inimigo dos Estados Unidos era a União Soviética e seus aliados, que enfrentaram a América nas trincheiras virtuais da chamada Guerra Fria. Mas essa ameaça já virou história e, desde o esfacelamento do bloco de nações comunistas, os Estados Unidos só têm crescido e, hoje, não reconhecem rival no cenário internacional. O problema é que a nação que venceu a Guerra Fria com a riqueza ganhou também um coração frio. Na mente de muitos americanos, o progresso tornou-se a norma, e o céu era o limite. Diante de tanto triunfalismo, tecnologia e abundância de tudo o que se possa imaginar, ver o presidente Trump admitir que a nação está perdendo a batalha para um insignificante vírus nos humilha e nos faz cair aos pés do SENHOR, repetindo a oração de Davi: “Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem” (Salmo 60.11).