
Vencendo o medo e a ansiedade (3): Onde está Deus na pandemia? A presença do mal na criação de Deus sempre representou um desafio ao pensamento humano, e a razão é perfeitamente compreensível. Não é simples equacionar a revelação bíblica, que nos apresenta um Deus Todo-poderoso e bom, com a realidade do mal que, por vezes, apresenta-se imponente e indestrutível. Nesses momentos, além dos reveses naturais que acompanham nossa luta contra o mal, precisamos ainda lidar com um mundo incrédulo que, ao observar nossa dificuldade, tenta destruir nossa fé com a pergunta que está em Salmos 42:3: “O teu Deus, onde está?”. Nesse momento, enquanto enfrentamos as turbulências mundiais causadas pelo coronavírus, muitos se põem a perguntar: “Se Deus realmente existe, e tem poder e amor, por que não intervém e aniquila a peste que nos ameaça?”. Uns respondem de um jeito; outros, de outros. Entretanto, se queremos ouvir o próprio Deus, devemos considerar o que Ele diz no livro do profeta Isaías: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Is 45.7). Nesse versículo, o SENHOR afirma que está no controle do mundo em tempos bons e em tempos maus. Ele retira Sua luz, e as trevas surgem; deixa de interferir deliberadamente para nos assegurar a paz, e, logo surge o mal, que, nesse texto, é sinônimo de caos. Assim, agindo diretamente ou restringindo Sua ação, o SENHOR Deus se mantém soberano em dias claros e em dias escuros, em momentos de paz e em momentos de angústia. Naturalmente, não temos todas as respostas para as inúmeras indagações que podem surgir quando vemos a Palavra de Deus afirmando que o SENHOR está diretamente envolvido no caos que se abateu sobre o mundo. No entanto, o fato de não termos explicações que se acomodem à nossa lógica não nos dá base para negar o que está escrito. Meu conhecimento não pode ser o teste que valida a realidade. Por isso, Deus não nos chama para explicar, porém para confiar naquilo que Ele afirma. Quando nossa capacidade de compreensão fica aquém do que está nas Escrituras, a melhor opção é assumir nossa limitação e guardar nossos lábios, para que não venhamos a falar além do que convém. Pois, do contrário, cedo ou tarde, teríamos que dizer como Jó: “Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia” (Jó 42.3). Não precisamos nos esforçar para eximir o SENHOR da Sua participação na pandemia, pois Ele não o faz. Tudo de que precisamos é reconhecer que Ele tem poder para eliminar o coronavírus, todavia, até aqui, Ele não quis agir assim. Além disso, devemos reconhecer que, sendo Ele um Deus cheio de bondade, fidelidade e misericórdia, ao permitir a aparente vitória do mal, Ele deve ter um bom propósito que passa pela atual crise que vivemos. Afinal, Ele mantém absoluto e constante controle sobre todas as coisas, pessoas e circunstâncias, visando a Sua glória e o bem do Seu povo. Enquanto pensamos em tudo isso, lembremo-nos de que o mesmo Deus soberano, que é poderoso para acabar com a peste quando isso estiver de acordo com o conselho da Sua vontade, é também poderoso para nos sustentar em meio à pandemia. Se, por qualquer razão, tentarmos reduzir o soberano controle de Deus sobre a pandemia, ficaremos incertos quanto à Sua capacidade de nos sustentar diante dela, e isso seria terrivelmente trágico. O Deus revelado nas Escrituras tem poder para fazer tudo o que Ele quer. Porém, até este momento, não aprouve a Deus conter o avanço da peste. Não sabemos todos os planos do SENHOR para essa situação. Sabemos, contudo, que, quando Ele não acalma a tempestade, concede-nos graça para desfrutar da Sua presença em meio ao perigo. Seja como for, Seus filhos não serão abandonados, pois, quando nosso barquinho está a ponto de naufragar, Ele fala ao nosso coração: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!” (Mateus 14.27).