
Meditações no Evangelho de João (52): A Infalibilidade das Sagradas Escrituras Nada acontece por acaso. Por trás de cada efeito, existem causas, no final das quais, está a divina providência. Isso é verdade tanto na realidade material que nos cerca quanto na combinação de fatos que se enfileiram, formando a nossa história. É fácil ver o encadeamento providencial do Pai nas entrelinhas de cada evento na vida e no ministério do SENHOR Jesus. Porém, no episódio da entrada triunfal do SENHOR em Jerusalém, a obra da providência de Deus é tão evidente que os fatos parecem saltar das páginas à medida que inserimos essa história no contexto geral da Sagrada Escritura. Era o começo da semana da paixão. Sabendo que era chegada a Sua hora, Jesus se dirigiu para as imediações de Jerusalém. No plano do Pai, Jerusalém deveria ser cenário da morte do Filho. De acordo com Lucas, capítulo 13, pouco antes da entrada triunfal, Jesus foi ameaçado por Herodes Antipas. Mesmo sabendo que Herodes tinha decapitado João Batista, Jesus não se apressou para sair do território governado por Herodes, mas mandou a seguinte mensagem para o tirano da Pereia: “Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém” (Lucas 13:32-33). Jesus tinha perfeito conhecimento e confiança de que aquilo que o Pai havia determinado iria se cumprir, a despeito da resistência ou ameaça dos homens. Começar a semana da paixão sendo aclamado pela multidão de peregrinos que vinham celebrar a Páscoa era mais um peça importante no “quebra-cabeça” divino pelo qual se formava a cena do sofrimento, morte e ressurreição do Messias. Como é o caso de muitos outros eventos da cristandade, o real significado do episódio ocorrido naquele domingo que, posteriormente, seria conhecido como “Domingo de Ramos”, por vezes, tem sido obliterado pelo simbolismo místico que, com grande facilidade, torna-se fundamental nas superstições da religiosidade tradicional. Entretanto, o valor desse evento está no fato de que, por seu intermédio, o estudante das Escrituras encontra uma fortíssima evidência de que Jesus é, como a própria multidão O aclamou: o bendito Rei de Israel, que vem em nome do SENHOR. Olhando na superfície, poderíamos achar algumas razões que explicariam a comoção e a adoração popular diante da chegada de Jesus em Jerusalém, naquele inesquecível domingo. No entanto, a explicação que faz jus ao evento pode ser encontrada nas palavras de Jesus em João 10:35, onde o SENHOR, fazendo menção ao Antigo Testamento, diz que “a Escritura não pode falhar.” É por isso que muitos dos judeus que antes haviam abandonado o SENHOR por causa da Sua recusa de ser aclamado o Rei de Israel (cf. João, capítulo 6), agitando ramos de palmeiras, estavam levantando suas vozes em coro, dizendo: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel” (João 12:13). Apesar da resistência dos judeus, das ameaças do Sinédrio e das incongruências das circunstâncias, Jesus foi aclamado o Messias e Rei de Israel. Essa aclamação teria de acontecer. E, Se não tivesse sido pelas vozes da multidão, as próprias pedras teriam clamado, porque, realmente, a Escritura não pode falhar. Ela é a Palavra de Deus. Pensando nisso, consideremos o que diz o Filho de Deus em João 5:24: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” Quem escuta a Palavra de Deus e confia n’Ele, recebe a vida eterna. Sabemos disso porque, realmente, a Escritura não pode falhar. Jesus salva todo aquele que n’Ele confia.