
🌾 A SEMENTE 495 (Terça-feira, 18/05/2021) Meditações no Evangelho de João (110): A Vitória da Crença sobre a Descrença Leitura Bíblica: João 20:24-29 O Evangelho de João é ideal para entendermos o progresso da crença e da descrença. Quanto aos judeus, a descrença resultou na completa rejeição de Jesus e terminou causando Sua crucificação. No caso dos discípulos, a crença progrediu a passos lentos, contudo chegou à gloriosa convicção expressa por Tomé que, em plena certeza de fé, adorou a Jesus, chamando-O de “Senhor meu e Deus meu.” Dentre os muitos relatos dos eventos ocorridos após a ressureição de Jesus, a história de Tomé, o apóstolo que queria ver para crer, é uma das mais conhecidas. Por alguma razão, Tomé estava ausente quando Jesus apareceu aos demais discípulos no domingo da ressurreição. Naquela ocasião, para deixar os discípulos certos de que Aquele que fora crucificado era o mesmo que tinha voltado à vida, de acordo com João 20:20, Jesus fez questão de mostrar-lhes as mãos e o lado. Essa evidência palpável causou grande alegria nos discípulos que, até aquele momento, ainda balançavam entre a crença e a descrença. Apesar do testemunho dos seus companheiros, Tomé queria também fundamentar suas convicções na base do que tinha visto, e não somente do que tinha ouvido. Portanto, ao ouvir sobre a aparição de Jesus, respondeu: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” (João 20:25). A Bíblia descreve os judeus como pessoas que, como Tomé, “pediam sinais” (cf. 1Coríntios 1:22) antes de crer em um mensageiro que se dizia enviado por Deus. Assediados através dos séculos por falsos mestres e falsas religiões, desejosos de reter a verdade revelada por Deus, os judeus se tornaram resistentes quanto à fé, pois não queriam ser arrastados por ventos “de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Efésios 4:14). Tal atitude tem um aspecto louvável e está bem representada nos discípulos de Jesus, especialmente, em Tomé. Por outro lado, atrelar a fé em Cristo a sinais e prodígios visíveis é um caminho perigoso. Nenhum pecador consegue examinar objetivamente a realidade. O pecado que “tenazmente nos assedia” distorceu nossa habilidade mental e corrompeu nossos sentimentos e vontade, levando-nos a abraçar a ilusão como se fosse a realidade. Estamos naturalmente impedidos de conhecer a Deus pelo mero exame das evidências materiais, embora, pela criação, tenhamos acesso a fatos que falam tanto do Seu eterno poder quanto da Sua própria divindade (cf. Romanos 1:20). No próprio Evangelho de João, por exemplo, vemos a força da incredulidade silenciando a mensagem dos sinais miraculosos que Jesus realizara diante dos judeus. Sabedor de que Tomé estava numa batalha espiritual entre a fé e a incredulidade, o SENHOR se apresentou novamente aos discípulos, estando Tomé, dessa vez, entre eles. Então, com Seu amor insistente, que não se cansa de buscar o perdido, Jesus se dirige ao apóstolo duvidoso e diz: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (João 20:27). Depois de estar convicto acerca da ressurreição de Jesus, os olhos do coração de Tomé foram abertos, e ele exclamou: “Senhor meu e Deus meu”, proferindo, assim, a mais concisa e completa declaração de fé que poderia brotar dos lábios de um pecador. Essas palavras unem o final do Evangelho de João com o seu começo, onde Jesus é apresentado como o Eterno Verbo de Deus, Criador e Sustentador de todas as coisas, Que “… se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:14). Se observarmos bem o que aconteceu com Tomé, perceberemos que ele primeiro creu, depois, com os olhos da fé, conseguiu ver que Jesus era seu Senhor e seu Deus! Não caiamos no erro de condicionar nossa fé em Cristo àquilo que podemos ver. Desde as alturas dos céus, que proclamam a glória de Deus, até às maravilhas insondáveis que ocorrem no interior de uma pequena célula, os sinais da poderosa presença de Deus clamam por nossa atenção, mas nossa cegueira espiritual não nos permite conhecer realmente o Criador. A melhor maneira de aproveitar o testemunho dos sinais é vê-los relatados e interpretados na Palavra de Deus. Por esse meio, poderemos chegar a ser um verdadeiro crente no SENHOR, estando entre os que são bem-aventurados porque “não viram e creram.”