
Arrisco afirmar que não deve haver mulher que não se identifique, de alguma maneira, com os versos de Jô. Com eles, ela consegue atingir um dos mais caros objetivos da Literatura: a universalidade. A presente obra poética é lirismo que se expõe, escorrendo das páginas e envolvendo a leitora/ leitor de modo profundo, mas ao mesmo tempo com uma leveza densa que só as mãos das melhores escritoras podem ter. Joziane Ferreira é feita de poesia em todos os pedaços de seu corpo, e de sua sagaz e criativa mente. O presente livro, é divido em três partes, a saber: Dos silêncios, Da morte e Do luto. Na primeira parte, os poemas nos provocam a reflexão sobre o quê e por quê silenciamos, nossas dores, medos, desejos, amores... Falam sobre temas sensíveis do nosso cotidiano, como relacionamento abusivo, abuso psicológico e como deixam marcas, tão profundas, que nem o tempo consegue apagar, como no poema O tempo é uma ilusão: A ferida daquele tempo não sarou necrosou. Na segunda parte do livro, Da morte, os poemas nos levam a refletir sobre a impermanência da vida, para além da morte do corpo, o que fazer quando o amor acaba e as dores que essa morte provoca. O dilema de continuar num relacionamento falido ou enfrentar as consequências advindas dessa morte, como podemos notar no poema Labirinto: Estão juntos por hábito Perdidos num labirinto de Mágoas novas e antigas. E Afastamento: Teu corpo está no quarto ao meu lado É tua alma que não está na cama. Na terceira parte, Do Luto, os poemas sobre o luto, depois que a relação termina. Todos os poemas do livro estão conectados, emaranhados como uma teia que vai nos guiando por um labirinto, tão complexo, que é a vida. Os poemas falam sobre a dor dos sonhos desfeitos, dos projetos interrompidos, da perda de tudo que era conhecido, por tantos anos, tanto tempo. Falam sobre a dor diante do fim daquilo que parecia ‘para sempre.’ O luto é retrato nos poemas com tantas emoções e sentimentos complexos: raiva, medo, culpa, dor, saudade, alívio, perda, sofrimento, arrependimento, como podemos observar nos poemas Casa Nova II: Meus olhos te acompanham porta afora como se seguisse um cortejo fúnebre. Também, dentre outros, no poema que dá nome ao livro, Quando o laço vira nó: Aquele nó finalmente desatou e agora me sinto tão só Não é saudade do nó é saudade do laço. (São Paulo, 24/1/2022 Clarice Dall’Agnol) #literatura #poesia #relacionamento #luto #amor #dor #tristeza #aterceiramargemdapoesia #relacionamentoabusivo #amortoxio #oamornaodoi #relaionamento #autoamor #autoconhecimento