
dez anos separam eu chegando de mochilão às costas, mochila à frente, pochete de couro na cintura e sacola de comidas pendurada no ombro, chapéu de feltro sueco na cabeça, chinelos nos pés pisando a Amsterdam Centraal Station eu chegando de mala de rodinha cheia de livros, mochila cheia de papéis às costas, pochete de couro cruzada no peito, sacola de roupas que não couberam na mala pendurada no ombro, sandálias nos pés pisando a Amsterdam Sloterdijk Station nas duas chegadas, encontrei uma photomatic de estação e tirei cinco fotos olho pressas Lívias que são a mesma e completamente diferentes um rio nunca é o mesmo rio sempre é o mesmo rio nunca é o mesmo rio sempre é o mesmo rio nunca é o mesmo rio sempre é o mesmo rio nunca é o mesmo rio sempre é o mesmo rio colocamos a mesma música pra tocar enquanto caminhamos pela mesma cidade à procura do mesmo transporte até as casas onde irei tomar um banho antes de mais nada dez anos nos separam, dez anos, um bom punhado a menos de colágeno e um punhadinho a mais de melanina frita muito sol dos três verões de 2012, carnaval em Pernambuco, Maranhão, Pará, Amazônia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, México, Guatemala, Uruguay, Bahia que não me sai do pensamento dez anos de sol sem protetor solar dá melasma se a sua dermatologista ainda não te disse, esteja sabendo talvez daqui 10 anos minha pele seja toda isso que chamam mancha um tecido elástico de melanina que dançou e dança sob o sol entro no tram en tram os entramos pensamos na jornada lá vamos nós beijinhos, Lívia Get full access to à toa pelo mundo at eusouatoa.substack.com/subscribe