
Eu já tinha praticamente desistido de fazer o TEDxBotucatu acontecer por aqui quando chegou uma mensagem de Edvaldo Amaral. Professor e pesquisador da UNESP em Botucatu, ele queria compartilhar uma reflexão sobre longevidade a partir das sementes, às quais dedica sua vida de estudo. Confesso que quase respondi no automático. Recebi tantas mensagens de pessoas querendo falar num TEDx que, por um instante, coloquei aquela na mesma gaveta. Mas a delicadeza da abordagem me fez parar. Liguei para ele. Daquele encontro nasceu uma amizade e uma energia renovada para seguir com o projeto. Por isso, brinco que Amaral tem culpa de o TEDxBotucatu ter acontecido. Uma ótima culpa. Neste Diálogo, conhecemos a trajetória que sustenta sua ideia: da infância numa fazenda, caminhando quilômetros para estudar, à formação em Lavras, ao doutorado na Holanda e à carreira na UNESP. As sementes já despertavam sua curiosidade quando menino. Ao lado de casa, uma araucária espalhava pinhões pelo chão. Ele observava como se deterioravam, enquanto outras sementes resistiam por mais tempo. A pergunta veio antes da ciência. Décadas depois, esse olhar inspirou a analogia que levou ao TEDx: o que podemos aprender com as sementes sobre o cuidado com a nossa vida? Amaral nos convida a pensar em três aspectos: a pausa, o cuidado e o vigor. A dormência inspira uma reflexão sobre desacelerar. Os mecanismos de proteção das sementes lembram a atenção cotidiana de que precisamos. E o vigor abre uma conversa sobre viver plenamente, cultivar amizades e participar da vida. Foi bonito ouvi-lo falar da alegria dos encontros e das relações construídas no TEDx. Os amigos fazem parte da sua ideia de longevidade. Também compartilhou uma conquista: a tese de seu aluno Gustavo, orientada por ele, recebeu o Prêmio CAPES de Tese e um reconhecimento da UNESP. Ao contar, lembrou as bolsas e as pessoas que tornaram seus próprios estudos possíveis. Para ele, formar pesquisadores é uma maneira de retribuir. Gustavo está agora na Holanda, no ambiente de pesquisa em que Amaral também estudou. O professor ajudou a abrir essa porta. E assim ele resume esse espírito: “É abrir as portas e ir ajudando quem tá afim.” Fiquei feliz por ter aberto espaço para aquela primeira conversa. Por ter interrompido minha resposta automática e escutado quem estava do outro lado. Convido você a acompanhar nosso encontro. Uma prosa sobre sementes, ciência, educação e a alegria de cultivar relações que continuem dando frutos. — MAU & GePeTo To hear more, visit maucuri.substack.com