
Vila Rica de Ouro Preto Ê ...Ouro Preto! Subi e desci ladeiras Como num manto de Nossa Senhora Lavadas de sangue e açoite De brancas Joias gananciosas Da fé, do negro em senzala. No sonho em que se prendia as correntes Moléstias de pele Ambições descrentes Lá vai...Ê Ouro Preto é semente. Ainda ecoa nos ares; os gritos dos inconfidentes... Ainda transborda nos sinos os sonhos de liberdade E as gemas cintilam Translucidas somente São capazes de despertar desejos só dos descentes. preso a matéria preso as serpentes.... E corre ladeira afora Tricentenárias reluzentes Com histórias do Ouro em Cada chão e vertente... Com versos do poeta mor No Museu dos Inconfidentes. Onde a maçonaria sempre esteve presente... E brilham ouros e gemas Em minérios consistentes Nãos se planta, não se colhe Só trocas entre tropas existentes Reluz o branco dos lenços De Marília de Dirceu e seu amor inexistente; Interrupto , desprovido. De aceito ser como a vida lhe permite Amar.... Ah Amar... era tão difícil propagar... Moças virgens presas em seus quartos sem janelas Abrem como flor, crescem como donzelas E no desabrochar da vida, são escolhidas como Roupas amarelas Ai delas se tivessem suas vontades? Seus desejos mais secretos Contidos como libertinagem. Passo as horas sobre os livros Debruçada em seus tempos Esmaecidos mais convictos De que o amor resiste ao tempo. Há de esperar; e ele há de vir Ao som das tropas da cavalaria sem fim Ao tremer das pedras ungidas por escravos Ao despir ladeiras seminuas Em sangues lavados... E lavabos anfitriões me recebem e me despem me permitem e me vestem com um balsamo eloquente : Ah Vila Rica : Eu te amo! Angélica Tiso