
Sem pedirem licença a Mestre Aquilino, Francisco Mota Saraiva e João Dinis demolem «paredes de côvado e meio de bitola em que há um século lavrava a ruína» e entram na “Casa Grande de Romarigães” para se sentarem à mesa dos Meneses e Montenegros, outrora Cunhas e Dantas, e fazerem contas ao somatório das virtudes e vícios dos seus antepassados. Entre afogados, suicidas, mulheres colhidas por vacas, filhos ilegítimos, sobrinhos mal intencionados, e outras personagens tantas e tantas, ditadas ora pela ventura ora pela desgraça, os nossos convivas marcam o compasso do tempo e da natureza para desvendarem o lugar da História Privada de Portugal. A acompanhar três séculos de história e oito gerações, serve-se um Contacto, de AnselmoMendes, de 2025, um alvarinho da região dos vinhos verdes, que nos aproxima do único caminho certo da «triste planta humana» – a morte. Coriácea é a vida e aganados são os tempos... Valha-nos Nossa Senhora do Amparo e Mestre Aquilino Ribeiro que escreveu sem «malbaratar louçanias, vidrilhos ou esmaltes de estilo».