
Era uma casa silenciosa Era uma casa cheia de flores Ensolarada e espaçosa Com mais de mil moradores Que eram donos de suas tragédias Que eram donos de tantas memórias Desconhecidos, celebridades, E pessoas aleatórias O varredor olha pras covas Põe flores secas num saco Trabalha sozinho, sem ter colegas Ou chefes dando pitaco Trabalha ao ar livre, é confortável Gosta do vento e gosta do sol E na companhia de todos os mortos a imaginação é um anzol De vez em quando, morde igual peixe Fica sonhando, mesmo acordado Vendo os nomes, algumas estátuas E alguns retratos do lado Bem alinhadas, três covas simples Sem nenhum luxo ou outros enfeites Apenas três flores, uma rosa branca Uma jasmim e um copo-de-leite E ali imaginava os três conversando Contado da vida e de seu destino Sísifo, que viveu muitos anos Ícaro morreu quando menino Diógenes que viveu como um cão E agora descansam na mesma fileira E o varredor, em sua imaginação Via os três ao redor da fogueira