
A máscara de muitos políticos alagoanos, até então tidos como probos, de caráter acima de qualquer suspeita e a esperança de um povo órfão de melhores representantes, caiu por terra. O primeiro ato foi protagonizado pelo homem forte da segurança pública de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça, que após ser acolhido em todas as horas por Renan Calheiros e Renan Filho, deixou o MDB sem olhar para trás. Sedento por um cargo político, após perder a eleição para prefeito de Maceió, Alfredo Gaspar, que poderia perder novamente a eleição, agora para deputado federal, por falta de quociente eleitoral no MDB, tinha outras opções amigas para ir. Porém preferiu o lado inimigo de quem lhe estendeu as mãos e foi para o União Brasil, que apoia, pelo menos em Alagoas, a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Lembro que os Calheiros são eleitores antigos do ex-presidente Lula. Bem, o segundo ato de sede pelo poder foi protagonizado pelo senador Rodrigo Cunha, que após passar uma longa temporada no PSDB abandonou o partido também sem olhar para trás, o que fez ou o que nunca concluiu. Midiático, acusado de gastar cerca de R$ 100 mil de dinheiro público somente com pagamento de publicações em mídias sociais, conforme dados do Portal da Transparência, o senador alagoano também pode ser enquadrado no rol dos políticos de mandatos meteóricos, pois nunca fica neles até o final. Agora Rodrigo Cunha jogou ao vento o que falou em 2018, quando desmentiu uma multidão que assistiu ele em uma passeata por uma Avenida em um dos bairros de Maceió, época em que era candidato ao senado. Em cima de um carro de som ele foi flagrado pedindo votos para Jair Bolsonaro, que naquele ano era candidato à presidente da república. Atendendo ao recado do mensageiro mais fervoroso de Bolsonaro, o deputado federal por Alagoas Arthur Lira, Rodrigo Cunha esqueceu ou acredita que todos esqueceram o que viram em 2018, e foi de mala e cuia para o União Brasil, onde diz que é candidato a governador de Alagoas. Desaparecido dos fiéis eleitores desde que foi eleito, o senador, que voltou agora divulgando que foi graças a ele que Arapiraca tem um moderno hospital, que conseguiu colocar internet grátis em quase todos os municípios e que é o “pai” do programa de limpar o nome de endividados, mantém seu discurso vitimador, o mesmo que o ajudou a ganhar a primeira eleição, quando deixou o comando do Procon de Alagoas para ser vereador por Maceió. É fato que o senador saiu pequeno ao comandar as eleições dos vereadores de seu antigo partido, em 2020. No Sertão, por exemplo, gastou em demasia e não conseguiu eleger a maioria dos candidatos, muitos dos quais eleitores de Bolsonaro, que entraram num barco de sonhos e desempenhos, naufragando bem antes de chegarem as margens. Já o terceiro ato dos discípulos de Judas Iscariote foi protagonizado pela deputada Jó Pereira. A parlamentar, que foi eleita pelo MDB dos Calheiros, que a acolheu quando nenhum outro acreditava nela, agora, sob as ordens do primo Arthur Lira, anuncia que é oposição e se abriga no ninho do PSDB. Jó, figura assídua do gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, onde lá, conforme o próprio Marcelo Victor não esconde, o persuadia por favores particulares, passou os dois mandatos de Renan Filho para, somente agora, quando o governador deixa o cargo, descobrir que quem lhe estendeu as mãos não era para estar ao seu lado.