
Na semana passada, a Índia fez história ao pousar o módulo lunar Chandrayaan-3 em uma região quase inexplorada próxima ao Pólo Sul da Lua. Direto do encontro do Brics, na África do Sul, o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, interrompeu suas atividades para entrar em uma transmissão ao vivo e acompanhar o pouso. Após o sucesso da missão, ele disse que "o céu não é o limite". A missão foi a primeira a pousar com sucesso nesta região da Lua, e agora vai começar a explorar uma área onde a Nasa já confirmou haver depósitos de água em estado sólido. É com outro integrante do Brics, a China, que a Índia compartilha o feito de ser o único país a atingir a superfície do satélite terrestre neste século. No entanto, o sucesso indiano veio depois do fracasso de uma outra nação do bloco, a Rússia: dias antes do pouso do Chandrayaan-3, a sonda Luna-25 foi destruída quando tentava pousar na mesma região. A nave deveria marcar o retorno de Moscou à Lua quase meio século após a última missão soviética, a Luna-24. O incidente jogou ainda mais dúvidas sobre o futuro do programa espacial russo. No ano passado, já em meio à invasão da Ucrânia, a Rússia anunciou que suspenderia cooperações no campo espacial com o Ocidente, e que deixaria a Estação Espacial internacional no ano que vem, além de apresentar planos para uma nova estação espacial, mais de 20 anos depois que a Mir, estação que foi colocada em órbita pelos soviéticos, se desintegrou na atmosfera terrestre. A missão da Índia se insere em uma espécie de nova corrida rumo à Lua. Países como Coreia do Sul, Japão e Israel têm seus próprios planos para enviar naves de reconhecimento ao satélite — alguns já saíram do papel, e tiveram fins desastrosos, como a nave israelense Beresheet, que foi destruída em um pouso malsucedido na Lua, em 2019. A missão foi a primeira do tipo que contou com financiamento privado. Já as chamdas potências espaciais têm planos mais ousados. Os EUA querem mandar uma missão tripulada para sobrevoar a Lua já no ano que vem, e colocar astronautas em solo lunar em 2025, depois de um hiato de mais de 50 anos. A China, que em maio revelou seus próprios planos de exploração lunar, quer ver seus taikonautas pisando na Lua até 2030, ao mesmo tempo em que expande a sua estação espacial, a Tiangong.