
O acesso à moradia digna representa um privilégio dentro da dinâmica socioespacial nas metrópoles brasileiras. No contexto de Belo Horizonte, uma das opções encontradas pela população pobre é a busca pela construção da casa nos territórios das ocupações urbanas em periferias. Nessa dinâmica, verificamos a expressão da força feminina nas lutas pelo acesso à terra para garantir o abrigo das famílias e pelo acesso à infraestrutura urbana (como água, luz, esgoto, serviços etc). É neste contexto que o trabalho da “Arquitetura na Periferia” se insere. O projeto, que oferece assessoria técnica para mulheres de baixa renda, atua na facilitação dos processos de melhorias e construção das residências, incentivando o fortalecimento feminino e a busca por uma melhor qualidade de vida para as famílias. O evento “Assessoria Técnica e Bioconstrução” traz à luz uma importante discussão a partir do trabalho e experiências da “Arquitetura na Periferia” em parceria com o “Bioarquitetar - escola da Bioconstrução ” - que representa um importante marco na busca pelo desenvolvimento de novas maneiras de se construir. O encontro das iniciativas vislumbra o possível barateamento de custos para as famílias, maior viabilidade das obras, o uso de técnicas construtivas mais gentis com o corpo, a maior independência em relação ao uso do concreto e a consequente diminuição do impacto ambiental na construção residencial, especialmente na autoconstrução feminina na periferia.