
Nesse episódio do Papo Lendário, Leonardo Mitocôndria entrevista Andriolli Costa, o Colecionador de Sacis Nessa entrevista, comentamos como está a divulgação de obras sobre o tema folclore. Conheça também a obra recém publicada de Andriolli, "O Colecionador de Sacis, e Outros Contos Folclóricos" . - Esse episódio possui transcrição, veja mais abaixo. -- LINKS -- Live do dia 26/09 sobre "O Colecionador de Sacis, e Outros Contos Folclóricos" Compre a obra na Amazon Podcast Poranduba Site do Colecionador de Sacis Consultoria Folclórica -- EQUIPE -- Pauta, edição: Leonardo Mitôcondria Locução da abertura: Ira Croft Host: Leonardo Mitôcondria Convidado: Andriolli Costa -- APOIE o Mitografias -- -- Agradecimentos aos Apoiadores -- Adriano Gomes Carreira Alan Franco Alexandre Iombriller Chagas Aline Aparecida Matias Ana Lúcia Merege Correia Anderson Zaniratti André Victor Dias dos Santos Antunes Thiago Bruno Gouvea Santos Clecius Alexandre Duran Domenica Mendes Eder Cardoso Santana Edmilson Zeferino da Silva Everson Everton Gouveia Gabriele Tschá Hamilton Lemos de Abreu Torres Jeankamke Jonathan Souza de Oliveira José Eduardo de Oliveira Silva Leila Pereira Minetto Leticia Passos Affini Lindonil Rodrigues dos Reis Mariana Lima Mateus Seenem Tavares Mayra Nilda Alcarinquë Paulo Diovani Goncalves Patricia Ussyk Petronio de Tilio Neto Rafael Resca Rafa Mello Talita Kelly Martinez -- Transcrição realizada por Amanda Barreiro (@manda_barreiro) -- [00:00:00] [Vinheta de abertura]: Você está ouvindo Papo Lendário, podcast de mitologias do projeto Mitografias. Quer conhecer sobre mitos, lendas, folclore e muito mais? Acesse: mitografias.com.br. [Trilha sonora] Leonardo: Muito bem, ouvinte. No episódio de hoje do Papo Lendário, estou apenas eu aqui da equipe, mas não tem problema, pois hoje será um episódio de entrevista, então o conteúdo virá todo do convidado. Digo convidado para não dizer que é da equipe, pois já participou de vários episódios aqui do Papo Lendário, além de a gente já ter feito três projetos juntos do Mitografias. Andriolli: Já sou da casa. Já não tem mais vassoura atrás da porta. Leonardo: Exato. Então hoje estou com o Andriolli Costa como convidado, como entrevistado. Andriolli: Valeu, Leo, muito prazer estar aqui. Oi, pessoal, bom estar aqui com vocês de novo. Leonardo: Legal. Muitos ouvintes já te conhecem, já viram de outros episódios que você participou aqui, além da própria antologia que a gente fez junto, ou então também que tem muitos ouvintes do Papo Lendário que também são ouvintes do Poranduba. Então muitos aí já te conhecem, mas, caso tenha algum ouvinte mais recente que também não te conheça, pode se apresentar aí. Andriolli: Beleza. Então meu nome é Andriolli. Eu sei que sempre digo isso, mas é importante. Não é meu sobrenome, é meu nome, Andriolli Costa. Sou jornalista, natural de Mato Grosso do Sul, pesquisador, terminei meu doutorado ano passado, gravei aqui com o Leo contando como foi a tese, que teve tudo a ver com mito. E agora eu estou no pós-doutorado da Universidade do Estado da Bahia, onde eu estou estudando a relação entre folclore e jogos analógicos. Novidades aí pela frente. Sou editor do site Colecionador de Sacis, onde apresento o meu podcast, o Poranduba. Toda semana ou quase toda semana, sempre que possível, falando sobre folclore em entrevistas ou monólogos. E também o nosso querido Popularium, que está para voltar. Eu tenho 60 dias para entregar o primeiro episódio, que está com contrato assinado, então vai rolar aí Popularium, segunda temporada. Leonardo: Bacana. Já que você citou o seu pós-doc, tem previsão de quando vai finalizar? Qual é o tempo? Andriolli: É um ano. Eu comecei agora, a primeira participação minha foi em agosto, que aí começam as disciplinas, eu começo também a entrar em um grupo de pesquisa ali dentro da universidade, então, a partir de aí, um ano para você fazer o projeto. Eu já estou selecionando o corpus, vão ser jogos analógicos, especialmente jogos de carta, que foi o que eu mais encontrei, sempre com relação com mitos brasileiros. E aí eu já encontrei... a grande maioria dos poucos que tem são voltados para combate e alguns voltados para humor, e aí o que me chamou atenção é isso, a gente só consegue resolver essa relação do jogo analógico com folclore - parece - de duas maneiras: ou você bota os mitos para se enfrentarem, para matar, para exterminar o Saci, exterminar o Curupira, ou você coloca uma perspectiva de humor, que às vezes é muito tênue entre o limite do humor e do racismo mesmo com povos originários e deboche com saberes ancestrais. Então você vai fazer uma piada lá... tem um jogo de cartas que você bota, ao mesmo tempo que você tem um Curupira, você tem lá um índio - eu estou usando índio de propósito, porque está escrito isso, gente - de iPhone, um índio de bermuda da Adidas. Aí você fala: "Putz, é assim que a gente consegue lidar? Não tem outra alternativa para lidar? Não é possível". Então meu trabalho tem duas fases: a primeira é compilação e análise - eu estou procurando juntar esse material e fazer uma análise dele, como é que eles lidam com os temas do folclore, com os temas dos povos originários, com o racismo, com esses desafios do contemporâneo; e, na segunda etapa, encontrar os vazios, o que não está sendo trabalhado, o que faltou ser trabalho, e, nesses vazios, eu posso inclusive ter ideias para fazer outras coisas, outros produtos. Então quem sabe aí do pós-doc não vire alguma coisa no futuro? Estou prometendo aqui, mas a gente nunca sabe o dia de amanhã. Leonardo: Que pena que só encontrou dessas formas. Eu sempre imaginava algo mais - não que tivesse, mas seria legal ter algo - narrativo, acho que encaixaria. Andriolli: E muita gente fala assim: "Ah, tem o rpg tal e não sei o que", eu falo: "Rpg não vai entrar na pesquisa, gente". Porque tem gente falando assim: "Ah, por que você não trabalha com videogame também? Leonardo: Você tem que filtrar, senão… Andriolli: Tem que filtrar, eu tenho que fazer um recorte. Se eu não fizer um recorte, eu posso estudar o mundo. Então claro que o videogame é interessante, mas eu acho que o jogo analógico tem uma relação com o folclore muito legal, que é o da presença, é você estar junto com os seus amigos fazendo um ato presencial mesmo ali, que é todo ritualístico. Então claro que hoje em dia a gente não está com essa facilidade toda para jogar por conta da quarentena, você não vai à casa do seu amigo jogar War, mas está ali guardadinho. Um dia a gente vai poder jogar de novo. Então tem muito disso. Leonardo: Bom, beleza, então, vamos já começar aqui algumas perguntas, mas já vai estar até relacionado com isso que você falou, com essa parte que você encontrou sobre como é representado o folclore, porque, ouvinte, o episódio de hoje vai ser para a gente falar de como é essa divulgação folclórica, como é divulgar. O Andriolli, que está aprofundado nisso, como ele vê a divulgação, e aí aproveitar e, mais na segunda metade do episódio, falar do livro que ele está lançando. Pode já citar seu livro, que aí a pessoa, enquanto está ouvindo, já vai pesquisando se ela não ouviu ainda sobre o livro. Andriolli: Maravilha. Vocês têm que saber que, quando eu gosto de um nome, eu uso esse nome em tudo. Então, além de o nome do meu site, que é o colecionadordesacis.com.br, o meu livro se chama O Colecionador de Sacis e Outros Contos Folclóricos. E aí lá o conto de abertura já é O Colecionador de Sacis, para dar o tom do livro que eu quero. É um conto bem dramático. E, ao longo do livro, vocês vão encontrar sete contos inspirados em folclore brasileiro - sempre brasileiro, porque é o que me interessa - e os contos vão transitando de vários gêneros. Vocês vão encontrar ficção científica, drama, romance, fantasia, mas o que une todos eles vai ser realmente essa relação de afeto com o folclore brasileiro. E tem várias resenhas que estão chegando, o pessoal está falando que não é só um livro com contos instigantes, mas que é um verdadeiro manifesto, e eu gostei muito disso, porque eu escrevi querendo fazer bem diverso, porque é para mostrar que é possível, que a gente não precisa ficar contando sempre do mesmo jeito, com o mesmo estilo, do mesmo gênero. Eu quis sempre variar bastante ali no nosso uso dos mitos brasileiros. Leonardo: Bem interessante. Tem uma questão aí que eu quero levantar relacionada a isso aí. Eu tenho acompanhado já há bastante tempo seu trabalho e você tem o podcast - quem é ouvinte é bem provável de já conhecer o Poranduba -, mas você escreveu esse livro e você tem outras produções também. Você já produziu um filme, já fez produção em fotografia, e sempre com essa questão do folclore. Mas eu queria saber como é trabalhar nessas diversas mídias e qual delas te chama mais atenção, qual você gosta mais. Andriolli: Qual eu gosto mais é difícil, porque o pessoal tem muito aquela onda de "Ah, se você faz só uma coisa, você vai ser bom naquilo; se você faz muita coisa, você vai ser mediano em tudo, vai ser medíocre em tudo". Paciência, é o que eu consigo fazer. A minha vontade de criar vem em ondas de interesse, tudo atravessado por essa minha vontade de falar sobre esse tema que eu tanto amo. Então às vezes vão vindo ideias, então, que nem o Leo falou de fotografia. Eu comecei a ter interesse por fotografia quando eu, dando aula de Fotojornalismo, comecei a pesquisar referência e vi que tinha um monte de ensaios que as pessoas usavam mitos gregos, ninfas, súcubos e não sei o que, e eu falei: "Caraca, quem já fez isso com folclore?", e não achei nada ou quase nada. E muitos deles usavam, abusavam da estética do nu para fazer uma coisa bem de galeria mesmo, e aí, quando eu vi isso, eu falei: "Cara, eu vou fazer ensaios nus inspirados em folclore brasileiro para pegar um público muito diferente", porque eu já tinha um público ali de crianças, de jovens.