
Foi numa disciplina do Mestrado (faço Mestrado em Estudos Literários) com um nome um pouco assustador, que resgatei toda a minha paixão pela Billie Holiday. Mas demorei para chegar lá. A disciplina denominada Inespecificidade, Colagens e Deslocamentos na Arte e na Literatura me deu bastante dor de cabeça no começo. Fiz uma síntese crítica, primeira avaliação da disciplina, que fugiu totalmente do tema, penei, e não conseguia assimilar completamente o conceito de inespecificidade (que foi o primeiro que estudamos). A grosso modo, podemos pensar que são criações artísticas que não cabem em uma caixinha só, em uma definição específica de arte. Seria uma obra literária que não é nem prosa, nem poesia. Uma instalação que é escultura, pintura e apresentação musical; tudo isso junto, e ao mesmo tempo nada disso. Mas antes de cair em reducionismos baratos, vou contar como cheguei a algum entendimento sobre o tema. Corri para algo que já me era familiar: a música. E esse foi meu ponto de partida.