
“Temos muita luta pela frente. Não podemos medir nem perfumar as palavras”. Convidado no novo episódio da segunda temporada do podcast As Amazonas, Ennio Candotti faz exatamente isso: vai direto ao ponto ao alertar para a urgente necessidade de uma revolução na forma como lidamos com o mundo real. “A árvore fora da janela da casa de qualquer um contém mais realidade e mais informações que a programação da TV ou da internet”, afirma ele, que foi quatro vezes presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em 2008, prestes a se aposentar e morando em Vitória-ES, aceitou o desafio de se mudar para Manaus e aqui construir o Museu da Amazônia (Musa), projeto ao qual se dedica desde então. E se dedica mesmo. Aos 80 anos, Ennio vive e respira o Musa. No meio do museu-floresta, alimenta o desejo de investigar questões do tipo “as folhas falam?” e ao mesmo tempo lida com situações nada encantadoras como a falta de infraestrutura do bairro que abriga o Musa. “O Musa fica na cidade de Deus, que está muito longe de Deus. É uma área violenta, difícil, uma área de periferia da cidade onde a presença do Estado é muito precária”, afirma ele logo na abertura do programa. Mais um episódio imperdível da nossa temporada dedicada à Amazônia.