
O que ajuda a explicar a existência de uma parcela da população que continua aderindo ao bolsonarismo e, em outros países, a figuras como Trump, Milei ou Fujimori, mesmo diante de experiências de governo catastróficas? Neste episódio, conversamos com Moyses Pinto Neto sobre a necessidade de compreender esses fenômenos para além da disputa estritamente eleitoral, dos interesses econômicos ou da adesão a um conjunto determinado de ideias. Partimos da hipótese de que há também uma colisão entre modos de perceber, organizar e habitar o mundo. A crescente presença da ideia de “guerra espiritual” no vocabulário das direitas oferece uma entrada para pensar esse conflito: política, religião, afetos, mitos, medos e encantamento passam a compor uma batalha na qual o adversário deixa de representar apenas uma posição política diferente e passa a encarnar uma ameaça à própria existência de determinado mundo. Pensar esses embates em termos cosmopolíticos talvez nos ajude a compreender por que a demonstração dos fracassos, das contradições ou das consequências materiais desses projetos nem sempre é suficiente para desfazer a adesão a eles: o que está em jogo não é apenas disputas de programas, mas um conflito sobre qual mundo deve prevalecer.