
SOBRE AS AUTORAS E OS AUTORES Andrey Guaianá Zignnatto É artista autodidata de origem indígena, dos povos Dofurêm Guaianá e Guarani M'bya, e ativista social. Em sua obra, cujas principais referências vêm da mistura entre elementos de sociedades modernas ocidentais, especialmente da construção civil, e elementos da cultura ancestral indígena, vida e arte se misturam em estruturas que propõem contrastes entre as realidades desses universos tão distintos. Associação Tingui É uma associação sem fins lucrativos que atua no fortalecimento de comunidades rurais e quilombolas do Vale do Jequitinhonha (MG), a partir da valorização dos saberes locais, tendo como foco o cuidado com a terra, com a cultura, com a saúde e o bem-estar das pessoas. Celeida Tostes Nascida no Rio de Janeiro, em 1929, formou-se pela Escola Nacional de Belas Artes e estudou na University of Southern California (EUA), onde ampliou seus conhecimentos sobre a técnica da cerâmica. Ao longo de sua vida, atuou como professora e escultora em várias universidades do país, trabalhando com temáticas relacionadas a feminilidade, sexualidade, maternidade e fertilidade, elegendo o barro como a matéria-prima fundamental de seu trabalho. Cristiano Lenhardt Artista gaúcho residente em Recife (PE), é bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Trabalha com instalações, esculturas, gravuras, performances, desenhos e pinturas, utilizando atravessamentos entre materiais orgânicos, como madeira, papel, pigmentos naturais e linho; e elementos industriais, como alumínio, cobre e concreto. Helena Lima É doutora em arqueologia pela USP, pesquisadora titular do Museu Paraense Emílio Goeldi (PA) desde 2013, curadora da coleção arqueológica desde 2018 e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural. Atua com pesquisas acadêmicas em arqueologia amazônica, com vieses ligados a ecologia histórica, cultura material (cerâmica) e arqueologia colaborativa, e projetos de extensão ligados à gestão de patrimônio cultural. Hideko Honma Ceramista nipo-brasileira, formou-se em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo e iniciou pós-graduação em História da Arte na ECA/USP. Estudou cerâmica na região de Arita e Imari, na província de Saga, no Japão, e foi professora de Estética e História da Arte na Faculdade Santa Marcelina (SP). Em seu ateliê, alia as técnicas aprendidas com os mestres ceramistas japoneses à riqueza material do Brasil. Inês Antonini É artista plástica, pesquisadora e educadora mineira graduada em História e mestra em Ciência Política pela UFMG. Iniciou seus estudos em cerâmica na Southwest School of Art and Craft, em San Antonio (EUA). Tem um ateliê em Belo Horizonte e outro em Brumadinho, podendo explorar vários tipos de queima e também desenvolver experiências colaborativas. Em seus trabalhos, o barro é explorado como matéria plástica, em que escala, forma e temperatura interagem resultando sempre em novos objetos. Josi Nascida em Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha (MG), é formada em Letras pela UFMG e em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG). Sua obra mistura lembranças a experiências cotidianas que entrelaçam memória, ancestralidade e fabulação, a partir de artesanias várias, como a pintura, a lavação de roupa, a escrita, o desenho, a cozinha e a cerâmica. Liliane Dardot Artista visual, foi professora de desenho na Escola de Belas Artes da UFMG e de litografia na Escola Guignard (UEMG). Foi uma das artistas fundadoras e participou ativamente da Oficina Guaianases de Gravura, em Olinda (PE), entre 1979 e 1989. Retornou a Belo Horizonte, onde tem o seu ateliê. Participou de Bienais no México, Colômbia, Porto Rico, Inglaterra, Cuba e Alemanha, com trabalhos em desenho, gravura e pintura. Desenvolve também obras in situ que envolvem a participação do público. Mãe Celina de Xangô Yalorixá, escritora, multiartista e princesa da corte real de Kpassenon, em Uidá, Benim. Criada por suas ancestrais nos conhecimentos do Candomblé e da vivência com as ervas, é gestora do Centro Cultural Pequena África, no Rio de Janeiro. Em 2011, foi convidada pela UFRJ para participar do reconhecimento de objetos africanos encontrados nas escavações do Cais do Valongo, na região portuária da capital. Maria Aparecida Leite e Marli de Jesus Costa Moradoras da comunidade quilombola do Curtume, no Vale do Jequitinhonha (MG), são bordadeiras, tingideiras, quitandeiras, agricultoras e jogadoras de versos. São também mestras e detentoras dos saberes da agricultura e do uso do barro e fazem parte do grupo Bordadeiras do Curtume, além de participarem das articulações da Associação Tingui em seu território. Maria Lira Marques Pintora e ceramista do Vale do Jequitinhonha (MG), utiliza a terra como matéria de seu trabalho. Aprendeu com sua mãe, que foi lavadeira e ceramista, a lida com o barro. A artista desenvolveu pesquisas sobre a cultura popular junto com seu amigo Frei Xico, pároco holandês, além de ser participante ativa na Associação de Artesãos de Araçuaí (MG). Seu trabalho é povoado de bichos imaginários e rostos que remetem à sua ancestralidade afro-indígena. Maurício de Paiva Fotógrafo documentarista e artista visual independente, dedica-se à arqueologia, à educação patrimonial e a temas socioambientais, com ênfase nas comunidades tradicionais da bacia pan-amazônica, por onde viaja há 18 anos. É colaborador da National Geographic, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, do Museu Paraense Emílio Goeldi e do British Museum/EMKP. Desde 2021, é bolsista do Pulitzer Center/RJF. Nei Leite Xakriabá Indígena da Aldeia Barreiro Preto, na Terra Indígena Xakriabá (MG), é professor, ceramista e pesquisador graduado em Formação Intercultural para Educadores Indígenas da UFMG. É filho da ceramista Dona Dalzira, sua primeira mestra, com quem aprendeu a modelar as primeiras formas em argila. Pierre Verger Foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador (BA). Realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disso, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspórica, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do Candomblé, que se tornou seu principal foco de interesse. Priscila Leonel É artista plástica graduada em Artes Visuais pela Unesp, onde também desenvolveu seu mestrado em Mediação Cultural, seu doutorado em Processos Artísticos da Cerâmica e pós-doutorado em Ensino Decolonial da Cerâmica. É professora de cerâmica e gravura no curso de Artes Visuais da Unesp de Bauru (SP) e busca, em seu trabalho, desenvolver um olhar atento às narrativas ligadas à ancestralidade afro-indígena. Rachel Hoshino É formada em Psicologia pela USP e designer autodidata. Há 30 anos, desenvolve trabalhos em porcelana e cerâmica, fornecendo objetos utilitários para lojas de design em todo o Brasil e no exterior. Seu trabalho e pesquisa são voltados para a matéria-prima da cerâmica, os processos de produção, os fenômenos de transformação e, principalmente, os mestres. Santana Dardot Nascido em Belo Horizonte (MG), atualmente vive em Marselha, França. É artista visual formado em Design Gráfico pela UEMG e mestre em Artes Plásticas pela Université Paul-Valéry Montpellier 3, na França. Seu trabalho busca investigar visualmente experiências relacionadas à presença e aos efeitos das forças do mundo vivo nos corpos. Sirlene Giannotti É formada em Ciências Sociais pela PUC-SP, em Geografia pela USP e mestra em Educação, com a tese "Dar forma é formar-se: processos criativo da arte para a infância" (2008), tendo atuado em cursos de formação na área de arte-educação desde 1997. Em 2023, concluiu o doutorado pela USP, com a tese "Encantarias do Sertão: percepção imaginativa e imaginação criadora na arte do barro de Maria Lira Marques". É ceramista desde menina e, atualmente, produz em seu ateliê Tapir Arte Cerâmica. Tiago Gualberto É doutorando em Poéticas Visuais pela Unicamp. Possui bacharelado em Tecnologia Têxtil e Moda e mestrado em Artes Visuais pela USP. Em 2015, foi finalista da Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros, com o projeto intitulado “Lembrança de Nhô Tim”, realizado junto à comunidade de Igarapé (MG), afetada pelo rompimento da barragem da mineração. Além de trabalhos de curadoria e crítica de arte, atualmente é professor da rede municipal de ensino na cidade de São Paulo. Xadalu Tupã Jekupé Artista indígena nascido em Alegrete (RS), no Pampa gaúcho. Tem sua origem ligada aos povos indígenas que, historicamente, habitavam as margens do rio Ibirapuitã, na antiga terra Ararenguá: os Guarani Mbyá, os Charrua, os Minuano, os Jaro e os Mbone. Em suas obras, usa a serigrafia, a pintura, a fotografia e diversos objetos para abordar a tensão entre a cultura indígena e a ocidental nas cidades, tendo sua pesquisa voltada aos processos coloniais de catequização dos povos nativos. _ NARRAÇÃO DEF ACESSIBILIDADE E CULTURA Narração: João Paulo Lima