
Para o podcast que encerra este ciclo, pensei na língua youruba como memória das resistências passadas e inspirações para as lutas futuras. Somos a existência da resistência! Tive a oportunidade e alegria de falar com a Ágata Íris, uma jovem mulher negra transfeminista, ativista, atriz, escritora, que discutiu a subalternização dos corpos negros, passando pela infância-adolescência-juventude, o que desdobrou em algumas estratégias que a juventude no seu contexto particular, procura como saídas, não uma fuga da realidade, uma fuga do mundo, mas a tomada desta realidade e, oferecendo esta realidade como horizontes de distopia, em direção a uma utopia libertadora. Se por um lado as bibliografias nos levaram ao apagamento, anulação, espoliação, exterminações e afrojuvenicídios. Por outro, mostrou-nos a face do empoderamento e do protagonismo que tem sido construído em torno desta juventude interseccionada. Esta perspectiva levou-nos a dois lugares de reflexão para a resistência como mecanismo e tática de sobrevivência e expressão da juventude negra. A primeira, é a luta política no confronto da vida cotidiana mediada pela utopia em ligação com a cultura afro-brasileira. A segunda, é pensar no que nos humaniza, sonhos coletivos, lutas coletivas, partilha, ativismo político, participação e circulação social.