
Neste episódio partilhamos uma introdução de "A Carta da Corcunda para o Serralheiro", de Fernando Pessoa, lido por Maria do Céu Guerra. A BOCA regressa a Fernando Pessoa com o único texto que o poeta assinou no feminino. Maria do Céu Guerra é agora Maria José, boneca com os ossos às avessas, gente sem ser gente, igual a "um vaso com uma planta murcha que ficou aqui à janela por tirar de lá". Pouco conhecida dos leitores, esta surpreendente personagem encarna a expressão máxima da despersonalização literária de Pessoa, da heteronomia pessoana; mas a carta de amor composta pela corcunda parece também, como defende Teresa Rita Lopes em Pessoa por conhecer, "o auto-retrato mais acabado" do poeta enquanto "grande alma" que se sentia "ninguém". Ilustração: Susana Marques Disponível em versão digital em https://www.boca.pt/product/a-carta-da-corcunda-para-o-serralheiro-digital