
Talvez eu tenha pressa em viver, mas para qual lado correr? Correr de que? Se o tempo já é pouco, por que me apressar por aqui? Se estou de passagem a partida deveria ser algo que consigo facilmente digerir. Mas quando alguém se vai nem minha respiração consegue facilmente, com tranquilidade, passar por esse corpo. Não quero acreditar que esse é realmente todo tempo que temos. Suponho que viver mais seja loucura. Seja sorte. Seja a própria morte. Espero ainda não estar morta por dentro. Pelo menos o tropeço faz a gente parar, sair um pouco dessa correria que nos propomos desde que nos entendemos como pessoas maduras. A criançada que vai salvar o mundo! Não entendemos nada do que é ser adulto. O tropeço me faz sentir uma, me perdoe o palavreado, puta dor! Eu juro que algumas dores são desnecessárias, mas eu não sei de nada. O tropeço também me faz ter tempo de sofrer. É meu luto, minha luta, minha saudade absoluta. Meu tempo de deixar cicatrizar, me levantar. Meus amigos e minhas amigas são como o escudo da fé para os cristãos. Pretendo estudar outras religiões, me apaixonar perdidamente milhões de vezes, mas então, o tropeço pode ser recomeço? Eu sempre começo um assunto e faço um quebra-cabeça de mil peças e enrolo as palavras, não lembro mais o que eu disse, enfim, até finalmente chegar direto ao ponto. É melhor não ter o tempo como seu inimigo.