
O Boletim da Vacina convidou Valeria Realpe e Gabriel Servídio para nos contar os bastidores políticos e regulatórios por trás da aprovação da Sputnik V no México e na Argentina. Ambos são especialistas em Assuntos Regulatórios da indústria de tecnologia médica e dividem suas impressões. No início da pandemia, o presidente do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, manteve uma postura negacionista, provocando aglomerações e declarando se sentir protegido conta a covid-19 por amuletos. Antes da pandemia, a COFEPRIS, agência sanitária mexicana, era um órgão descentralizado e com autonomia política. No meio de 2020, a agência perdeu sua autonomia passando a fazer parte do Instituto Nacional de la Salud. A questão das vacinas também parece estar politizada no México. Duas paraestatais farmacêuticas, que não possuíam estrutura para fabricação de vacinas contra covid-19, foram rapidamente reativadas e adaptadas para a produção local de duas vacinas: a Cancino e a Sputnik V. Ambos os casos foram bastante comentados pela mídia mexicana, mas o país segue sofrendo com o ritmo lento da vacinação. Atualmente, apenas as vacinas da Astrazeneca e da Pfizer estão sendo aplicadas no país, pois a capacidade produtiva da Cancino e da Sputnik V ainda é desconhecida. O turismo de vacinas para os Estados Unidos tem sido prática comum no México. Já a Argentina foi um dos países com uma das quarentenas mais rígidas. Neste país, há duas categorias para liberar o uso da vacina: o registro de emergência concedido pela ANMAT, a agência sanitária argentina; e a autorização de emergência, concedida pelo Ministério da Saúde. As únicas vacinas que possuem o registro de emergência são as da Astrazeneca e a da Pfizer. Já a Sputnik V não foi autorizada pela ANMAT, mas pelo Ministério da Saúde através de uma autorização de emergência. Segundo Gabriel, a inspeção realizada pelos sanitaristas argentinos no Instituto Gamaleya se deu de acordo com dispositivos legais específicos para atender a pandemia e realizada basicamente por checagem de documentos. Ele destaca que o processo não foi transparente como o apresentado pela Anvisa no Brasil. Na Argentina, o partido de oposição chegou a chamar a Sputnik V de “veneno”. Mas ele acredita que isso acontece porque o processo de aprovação regulatória e sanitária é muito complexo para o entendimento da população em geral e isso abre precedentes à politização do tema. #educaçãosanitária #assuntosregulatórios #américalatina #sputnikv