
Pequeno gigante, Anderson C. Sandes O homenzinho que ora simula um colosso faz sua pose desajeitada Cheio de vazio na garganta, fala de modo raso de tudo que é profundo Alguém elogiou o personagem — o colosso e o homenzinho agradeceu alardeando modéstia Não quer subir nos ombros dos gigantes, quere-os nos seus Vai à noite dormir sem fôlego, suspirando de amores pelos livros que não leu Com um cantarolar anasalado daquela bela canção que nunca ouviu Às pressas faz uma prece: — que me perdoe o perfeccionismo, amanhã tento melhorar Acaba sonhando consigo mesmo, em preto e branco, pois é o que alcança a imaginação do grande homenzinho, que de comprido só a lista do que não cumpriu.