
ABRE O AMANHÃ, CAMARADA Abre a manhã, camarada, com tuas mãos, tuas próprias mãos, calejadas e sanguíneas. Abre a manhã como a uma fruta madura cuja doce polpa repartida alimentará a todos. Na labuta, prepara a luta, acende o sol que derrama luz sobre o dia material, de café, manteiga e pão, de suor e susto, de trabalho proletário nas fábricas do mundo. Abre a manhã, camarada, como à janela da casa, como ao coração antigo do bairro – este bairro que canta o fim do Estado burguês em cada uma de suas casas, ruas e vielas. Como a palavra impossível (de proteína pura) cuja substância determina sua consciência – palavra de fogo e força que fala pela nossa classe, palavra certeira, tiro na cabeça do zumbi. Abre a manhã, camarada, futuro do presente, que ilumina o muro onde garotos pixaram: Trabalhar todos, trabalhar menos, produzir o necessário, redistribuir tudo. Abre o amanhã, camarada, na batalha renovada, deixa o chorão chorar, traz azeite na peneira. Defende o inevitável amanhã contra o horror, como o jovem chinês que, ao lado do seu fuzil, lê Lênin sob a sombra de uma cerejeira em flor. Poema de Fabiano Calixto Interpretação: Fabiano Calixto Arte Elis e Allan Apoio Coletivo Cultural Vianinha _____________________________ Allan Brasil - Desenhista e Instigador Elis Alonso - Poetisa,Design e Palhaça Michel Viana - Escritor e Poeta da Periferia Luis - Provocador e Parceiro Alexandre Barbosa de Souza - Poeta e Tradutor Roy - Poeta e Filósofo _____________________________ E-mail: cacofonia.poetica@gmail.com Instagram:@cacofoniapoetica Poesia e pensamento crítico andando de mãos dadas!