
O Mínimo É preciso vingar a infelicidade dos nossos pares pregressos: das mães das nossas mães, das irmãs dos nossos irmãos, cujo rosto não vimos mas cuja voz nos interpela - ou ainda o seu eco, ou ainda o seu sentido buco, ou as pegadas de seus pés descalços, ou os pedaços de seus trapos rotos. Pois é preciso parir do fracasso, no incêndio do avesso de um rastilho apagado, as implosões impedidas - ou sua curta centelha, ou a supernova inaudita, ou a luz abortada, ou a esviscerada certeza de que luta é o mote, é a injúria e a glória dos desesperançados, em nome dos quais, propriamente, nos foi concedida uma força restrita. Mas é preciso enternecer as mãos. Mesmo quando mutiladas pela guerra e pelo trabalho sem trégua, eis que é preciso estar tenro como o chão que alimenta e como a água que o rega. Finalmente, é preciso curar os vulneráveis, como quem recupera um jardim da destruição, do atropelamento, da lamentável e funerária marcha do progresso. Poeta: Roy Sollon | Interprete : Roy Sollon Edição Viny We Arte Elis e Allan _________________________________ Viny WE - Produtor e Editor Allan Brasil - Desenhista e Instigador Elis Alonso - Poetisa,Design e Palhaça Michel Viana - Escritor e Poeta da Periferia Luis - Provocador e Parceiro Marina Lima - Articulação e Pesquisa Alexandre Barbosa de Souza - Poeta e Tradutor Roy - Poeta e Filósofo ________________________________ E-mail: cacofonia.poetica@gmail.com Instagram:@cacofoniapoetica