
A mais recente ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 100% sobre todos os filmes produzidos fora do país gerou grande preocupação na indústria cinematográfica do Canadá, especialmente em British Columbia (BC), conhecida como "Hollywood North" devido à sua importância no setor audiovisual.Contexto da ameaça tarifáriaTrump anunciou via sua rede social Truth Social que autorizou o Departamento de Comércio e o Representante de Comércio dos EUA a iniciar imediatamente o processo para instituir essa tarifa, alegando que a indústria cinematográfica americana está "morrendo muito rápido" e que outros países estariam atraindo cineastas e estúdios americanos por meio de incentivos fiscais. A intenção declarada é impulsionar a produção cinematográfica nos EUA, penalizando as produções estrangeiras que entram no mercado americano.Impacto na indústria cinematográfica de BC e CanadáA indústria do cinema em BC é uma das maiores da América do Norte, ficando atrás apenas de Los Angeles e Nova York, e emprega cerca de 37 mil pessoas, gerando bilhões de dólares para a economia local. Em 2023, a indústria cinematográfica de Vancouver gerou aproximadamente 2,3 bilhões de dólares, com projeção de crescimento para 4 bilhões até 2025.O Premier de BC, David Eby, classificou a ameaça de Trump como "ludicrous and unworkable" (ridícula e inviável), ressaltando as dificuldades práticas de implementar uma tarifa sobre filmes em um mundo onde a distribuição é majoritariamente digital e globalizada. Ele destacou que a indústria é forte e está crescendo, e que o governo provincial continuará a apoiar os trabalhadores do setor.O prefeito de Vancouver, Ken Sim, também criticou a medida, afirmando que a tarifa não prejudicaria apenas cidades canadenses, mas toda a indústria que depende da colaboração entre EUA e Canadá. Ele defendeu a cooperação para criação de empregos e fortalecimento do setor, ao invés de criar atritos entre aliados.Reações da indústria e associaçõesA Canadian Media Producers Association (CMPA) alertou para as "dificuldades econômicas" que a tarifa causaria tanto no Canadá quanto nos EUA, destacando que muitas grandes produções americanas são filmadas no Canadá devido aos incentivos fiscais competitivos. Executivos de estúdios apontam Toronto e Vancouver como dois dos cinco principais locais de produção preferidos para os próximos anos, justamente por esses incentivos.Além disso, a indústria cinematográfica americana também está fragilizada após greves de roteiristas e atores e os impactos da pandemia de COVID-19, o que torna a ameaça tarifária ainda mais preocupante para a recuperação do setor.Desafios de implementação da tarifaEspecialistas e autoridades canadenses ressaltam que a proposta de Trump apresenta desafios práticos enormes para sua aplicação, uma vez que a distribuição de filmes e séries ocorre majoritariamente via plataformas digitais, streaming e direitos de propriedade intelectual, que não são facilmente taxados como mercadorias físicas. A ideia de taxar filmes importados em formato físico (como DVDs) é considerada obsoleta e insuficiente para o mercado atual.A ameaça de tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos Estados Unidos, anunciada por Donald Trump, gerou um clima de incerteza e preocupação na indústria cinematográfica de British Columbia e do Canadá como um todo. Líderes políticos locais e associações do setor classificam a medida como inviável e prejudicial, defendendo a importância da colaboração transfronteiriça e dos incentivos fiscais que sustentam a produção audiovisual na região. A situação permanece em desenvolvimento, com o governo americano ainda avaliando a implementação da tarifa, enquanto o setor canadense se prepara para defender seus interesses e a continuidade de sua pujante indústria cinematográfica.