
O governo de Donald Trump pagou US$ 2,2 bilhões por quatro centros de detenção utilizados pelo ICE, o serviço de imigração e alfândega dos Estados Unidos. A empresa que vendeu as instalações, CoreCivic, calcula que registrará um ganho de aproximadamente US$ 1,8 bilhão com a operação antes dos impostos e de outros custos.Mas existe um detalhe ainda mais impressionante: a CoreCivic espera continuar administrando as mesmas instalações por meio de contratos com o governo estadunidense.O governo se torna proprietário dos prédios. A empresa recebe bilhões pela venda e pode continuar sendo paga para administrar os centros e cuidar das pessoas mantidas dentro deles.Neste vídeo, investigamos como a deportação em massa de Donald Trump alimenta uma indústria bilionária formada por empresas de prisões privadas, centros de detenção migratória, transporte de pessoas detidas, monitoramento eletrônico e contratos com o ICE.Uma análise da Prison Policy Initiative estima que empresas privadas receberam aproximadamente US$ 2,4 bilhões em receitas provenientes do ICE durante 2025. Esse número representa faturamento estimado, não lucro líquido. Mesmo assim, os resultados financeiros das principais empresas mostram um crescimento impressionante.A GEO Group informou que seu lucro líquido no primeiro semestre de 2026 chegou a US$ 85,8 milhões, um aumento de 76 por cento em comparação com o mesmo período do ano anterior. Dois novos contratos para instalações no Colorado e na Carolina do Norte poderão gerar aproximadamente US$ 165 milhões por ano quando estiverem funcionando normalmente.Também explicamos como determinados contratos transformam pessoas detidas em ocupação, pagamentos mensais e receitas adicionais. Um contrato anunciado pela CoreCivic inclui um valor mensal fixo e outro pagamento relacionado à quantidade de pessoas mantidas na instalação.Quanto maior a ocupação, maior pode ser o faturamento.Essa estrutura levanta uma questão essencial: o que acontece quando manter seres humanos presos se transforma num negócio extremamente lucrativo?Muitas das pessoas mantidas pelo ICE não estão cumprindo pena criminal. A detenção migratória é oficialmente uma forma de custódia civil enquanto o governo decide se alguém poderá permanecer nos Estados Unidos ou será deportado.O ICE afirma que a detenção é necessária para garantir a presença nos processos migratórios, permitir deportações e proteger a segurança pública. Empresas como a CoreCivic dizem que não fazem lobby para determinar quem será preso ou durante quanto tempo.Mas as relações entre dinheiro e política merecem atenção.Segundo o Public Citizen, a GEO Group, seus executivos e grupos associados destinaram mais de US$ 1,6 milhão a comitês aliados de Trump e à posse presidencial durante o ciclo eleitoral de 2024. A CoreCivic e grupos relacionados teriam destinado mais de US$ 806 mil. As duas empresas também gastaram, juntas, aproximadamente US$ 7,3 milhões com lobby em 2025.Doações e lobby são atividades legais nos Estados Unidos e não provam que qualquer contrato tenha sido comprado. Mesmo assim, é legítimo perguntar se empresas beneficiadas por uma política pública também tentam influenciar o ambiente político responsável por essa política.O vídeo mostra ainda como pessoas detidas trabalham em cozinhas, lavanderias, limpeza e manutenção por apenas um dólar ao dia. O programa é apresentado como voluntário, mas diferentes ações judiciais incluem alegações de ameaças, perda de privilégios e outras formas de pressão.Em uma instalação administrada pela GEO Group no estado de Washington, a empresa estimou que precisaria contratar 85 funcionários se não utilizasse o trabalho das pessoas detidas. O pagamento do salário mínimo custaria mais de US$ 3 milhões por ano. O valor destinado aos trabalhadores detidos teria sido de aproximadamente US$ 22.100.