
Há aproximadamente 30 anos atrás, a perspectiva da igreja era somente celestial, de forma que quem se convertia, deixava de se preocupar com qualquer coisa dessa terra: não estudava, não se envolvia com política, cultura, abrindo mão de influenciar a sociedade. Foi uma escolha desastrosa. Partindo para o outro extremo, a igreja se posicionou neste mundo e esqueceu a perspectiva celestial: nada sábio também! É difícil entender essa dicotomia: viver é Cristo e morrer é lucro. Mas a verdade é que precisamos encontrar o equilíbrio para viver o melhor desses dois mundos. Como cristãos, precisamos aprender a caminhar nessa realidade paradoxal. Quando vivemos muito na perspectiva terrena, acabamos customizando a Deus e reduzindo-o à nossa própria experiência: se Ele cura, Ele é bom; se não cura, é mau, e assim por diante. O que Paulo nos instrui é viver glorificando a Cristo independente da nossa experiência ou da nossa situação: quer na vida, quer na morte; quer nas lutas e batalhas, quer nas vitórias e conquistas. A vida é composta pelos ciclos dia e noite, choro e alegria; a vida é dualística e precisamos aprender a viver bem com essa realidade. Todos nós padeceremos dificuldades, mas esse não é o fim. Cristo também padeceu e nos encoraja para vivermos bem nessa terra, com Ele. Algumas pessoas se decepcionam com a noite e não conseguem transicionar para viver o dia. O período da noite dura tanto quanto for necessário para entender o processo de desconstrução para a construção de um novo homem. As pessoas mais felizes são aquelas que sabem transicionar da noite para o dia, do dia para a noite, entendendo a característica cíclica da vida. Nesse processo todo, como já disse Paulo, nós podemos todas as coisas!