
Numa parceria junto à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vão realizar, a partir da próxima semana, coleta de amostras de esgoto num procedimento que tem por objetivo identificar a quantidade de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. É sobre esse assunto que a gente conversa, agora, com Servio Túlio Cassini, coordenador do Laboratório do Centro de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (CPID) e professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). As primeiras análises, segundo ele, devem sair entre 30 a 60 dias. Os pontos de coletas ainda estão sendo analisados, mas, segundo o professor, no primeiro momento o trabalho deve ser feito em redes de hospitais de referência para a Covid-19. "Estamos na fase de compra de material porque somente agora conseguimos abrir a conta e estamos comprando os insumos. Vamos começar a fazer as coletas na próxima semana. Essas análises são moleculares. Quando a gente fala o genoma estamos dizendo que o material genético do vírus, o RNA. Fazemos uma espécie de exame de paternidade entre o esgoto e o novo coronavírus, para verificar a presença e a concentração dele naquela coleta", explica. Quando estiverem prontos, os dados sobre a presença do novo coronavírus ficarão disponíveis para toda a população por meio de um aplicativo. Mas o porquê do esgoto? "Quando a pessoa é infectada, o vírus se espalha em várias parte pelo corpo e, inclusive, o sistema digestivo. É muito comum nos estágios iniciais de infecção. Em março deste ano, os pesquisadores holandeses detectaram o genoma desse vírus em amostra de esgoto no aeroporto de Amsterdã. Se o genoma estava no esgoto era possível que essa fosse uma fonte de transmissão. Após isso, verificou-se que não. O vírus quando bate no esgoto é inativado e não há transmissão pelo esgoto", detalha. Acompanhe as explicações completas!